Publicidade

X

PETRÓLEO

Carros agora são com álcool

As grandes empresas petrolíferas, conhecidas como "As Sete Irmãs", monopolizam a exploração e o transporte

Heródoto Barbeiro

Publicado em 30/10/2023 às 17:17

Atualizado em 30/10/2023 às 17:27

Comentar:

Compartilhe:

A-

A+

Publicidade

Motorista brasileiro sofre ao pagar a conta da gasolina e do diesel no posto / Thiago Neme/Gazeta de S.Paulo

Não se vive sem o petróleo. E as maiores reservas economicamente exploráveis estão em uma área que vive em guerra. As grandes empresas petrolíferas, conhecidas como “As Sete Irmãs”, monopolizam a exploração e o transporte. O Ocidente depende do fluxo dessa matéria-prima, uma vez que construiu sua industrialização usando o petróleo como principal fonte energética. Isso transforma toda a região do Oriente Médio em um barril de pólvora, em que ataques, revoluções, assassinatos em massa, são constantes. O petróleo não convive com a paz. Fomenta a guerra e os motivos são os mais diversos. Atacar um navio petroleiro de uma empresa ocidental é como atacar uma parte do seu território. Provoca reação militar imediata. As potências gastam fábulas para manter tropas, navios e aviões militares. Dividem a região em áreas de influência e a posse dos campos mais produtivos de petróleo colaborou para que elas fizessem guerra entre elas, como a primeira e a segunda guerras mundiais. Há movimento de independência de alguns países, geralmente precedidos de guerras. Há divergências de toda ordem, inclusive religiosas e culturais, que movimentam populações de crentes.

O Oriente Médio não está fora do alcance da Guerra Fria. Americanos e russos possuem arsenais nucleares poderosos e se ameaçam mutuamente. O mundo vive, de novo, a perigosíssima paz armada. As ideologias de direita e de esquerda apresentam soluções políticas diametralmente opostas. Os países produtores de petróleo tomam consciência da importância do produto e articulam a formação de um cartel. Em vez de se submeter aos preços ditados pelas bolsas ocidentais, concordaram em diminuir a produção e impor o preço que acham justo pela matéria-prima. O movimento provoca um choque econômico global e o barril de petróleo multiplica de valor. Ou paga ou não leva, esse é o lema da OPEP, Organização dos Países Produtores de Petróleo, fundada em 1960. O fluxo de óleo vem do Oriente para o Ocidente ao mesmo tempo que o fluxo de dólares vai no sentido contrário. Os petrodólares. Inflação e déficit na balança comercial e de pagamentos. O impacto é maior no grupo de países chamados de emergentes, entre eles o Brasil.

O motorista brasileiro sofre ao pagar a conta da gasolina e do diesel no posto. Estes fecham por ordem do governo nos finais de semana. Passam a viver da lojinha de conveniência ou da cerveja e caipirinha servidas nas mesinhas misturadas com as bombas. Sem gasolina, o jeito é aproveitar a liberação do álcool. O governo, no auge da crise em 1973, se junta com a indústria automobilística e cientistas e lança o Proálcool. A matéria-prima é a cana-de-açúcar, plantada no Brasil desde a época colonial, mas que agora ganha uma nova dimensão, permitindo que os carros continuem nas ruas e nas estradas brasileiras. Os canaviais, concentrados no Nordeste, migram para o “Sul maravilha”, com os trabalhadores nordestinos convertidos em bóias-frias rurais. Grandes usinas produzem bilhões de litros – são o embrião do agronegócio, os carros movidos a álcool têm isenção de impostos, e a indústria jura por todas as velas e carburadores que o motor vai funcionar como um reloginho suíço. Aqueles movidos a corda. Porém, pela manhã, o motor ressentido da ressaca etílica do dia anterior se recusa a funcionar. Não se preocupem, dizem os engenheiros, adaptamos um tanquinho de gasolina e basta injetar a caríssima gasolina e tudo volta ao normal. Ele vem para ficar, e é também misturado à gasolina. O carro ganha até um distintivo na traseira, onde se lê FLEX. E o velho e bom álcool, presente também na caipirinha, passa a ser chamado sofisticadamente de etanol.

*Heródoto Barbeiro é jornalista da Nova Brasil (89.7), R7 além de autor de vários livros de sucesso, tanto destinados ao ensino de História, como para as áreas de jornalismo, mídia training e budismo. Apresentou o Roda Viva da TV Cultura e o Jornal da CBN. Mestre em História pela USP e inscrito na OAB. Acompanhe-o por seu canal no YouTube “Por dentro da Máquina”, clicando no link https://www.youtube.com/channel/UCAhPaippPycI3E1ZRdLc4sg

Apoie a Gazeta de S. Paulo
A sua ajuda é fundamental para nós da Gazeta de S. Paulo. Por meio do seu apoio conseguiremos elaborar mais reportagens investigativas e produzir matérias especiais mais aprofundadas.

O jornalismo independente e investigativo é o alicerce de uma sociedade mais justa. Nós da Gazeta de S. Paulo temos esse compromisso com você, leitor, mantendo nossas notícias e plataformas acessíveis a todos de forma gratuita. Acreditamos que todo cidadão tem o direito a informações verdadeiras para se manter atualizado no mundo em que vivemos.

Para a Gazeta de S. Paulo continuar esse trabalho vital, contamos com a generosidade daqueles que têm a capacidade de contribuir. Se você puder, ajude-nos com uma doação mensal ou única, a partir de apenas R$ 5. Leva menos de um minuto para você mostrar o seu apoio.

Obrigado por fazer parte do nosso compromisso com o jornalismo verdadeiro.

VEJA TAMBÉM

ÚLTIMAS

Mundo

Pesquisa afirma que Trump tem 48% das intenções de voto nos EUA

Os resultados mostram que 48% dos entrevistados afirmaram que votariam em Trump

Esportes

Agora é oficial! Palmeiras recebe documento que garante título mundial

A entidade internacional indicou o título da Copa Rio conquistado em 1951 como a primeira versão do tradicional torneio de clubes

©2021 Gazeta de São Paulo. Todos os Direitos Reservados.

Layout

Software

Newsletter