Publicidade

X

Parece, mas não é!

Na corda bamba

Ele está, como diz a sabedoria popular, em um mato sem cachorro

Heródoto Barbeiro

Publicado em 20/02/2024 às 16:27

Comentar:

Compartilhe:

A-

A+

Publicidade

Atos antidemocráticos / Tânia Rêgo/Agência Brasil

Ele está, como diz a sabedoria popular, em um mato sem cachorro. A Polícia Federal está em seu encalço. Entre as traquinagens do famoso político está a compra superfaturada de produtos para o Ministério da Saúde. Há investigação sobre as sobras do dinheiro arrecadado para a campanha e suspeita-se que parte dele tenha sido transferida para o exterior. As denúncias cada vez mais intensas são  responsáveis pela queda de aceitação do seu governo.

A sua popularidade despenca mesmo se deixando fotografar fazendo exercícios em academias, ou pilotando um jet ski ou jato da FAB. A chamada “lua de mel” entre a opinião pública e o governo se exaure rapidamente com o insucesso da política econômica, que não é capaz de estancar o ritmo da inflação. Políticos, constantemente vistos em sua mansão, somem da noite para o dia. Não querem se deixar fotografar ao lado dele, pois temem a reação popular e as investigações da Polícia Federal.

A mídia faz oposição cerrada contra o político. Ele se defende ao dizer que o que se divulga são apenas narrativas de quem está interessado em estressar a situação política do país para defender seus interesses inconfessáveis. A oposição se concentra sobretudo nos partidos de esquerda, nos meios estudantis e, principalmente, nas universidades. Não há conflitos graves nas ruas, mas os jovens tomam as principais avenidas das grandes cidades brasileiras.

Ele incentiva os seus seguidores a peitar as manifestações contrárias, mas não obtém apoio necessário nem no Congresso Nacional nem nas praças. Deputados e senadores se digladiam nos púlpitos da Câmara e do Senado. A população acompanha tudo, principalmente no Jornal Nacional da TV Globo. O noticiário político engorda, apoiado nos altos índices de audiência. Ninguém mais desliga a televisão quando um repórter entra ao vivo de Brasília.

O presidente perde  metade de sua popularidade de uma hora para outra. A preocupação da bancada de deputados que apoiam o governo no Congresso Nacional, que é muito pequena, sente o barco começar a afundar e é  hora de bancar o rato e abandonar o navio. A promessa de que ele tinha “uma bala de prata” para matar o “tigre da inflação” não saiu do revólver. Ela galopa a um ritmo de 20 por cento ao mês e as pessoas, quando recebem o salário, correm para os supermercados, uma vez que os preços são remarcados mais de uma vez por dia.

As denúncias de corrupção e superfaturamento envolvem o tesoureiro de Fernando Collor, Paulo César Farias, e respingam no presidente. Há um desânimo geral com ele e  em um pronunciamento dramático, sentindo que pode perder o mandato, pede ao povo que não o deixe só. Deixaram. O processo corre célere no Congresso, com reportagens que envolvem Collor, seu irmão, PC Farias, a primeira dama e uma penca de políticos da chamada República de Alagoas.

No último momento, Collor renuncia e deixa o governo na esperança de manter o seu direito político. Mesmo na sua ausência ele tem o mandato cassado e direitos políticos suspensos. O “caçador de marajás”, como Collor era conhecido na campanha, deu um tiro no próprio pé.

Apoie a Gazeta de S. Paulo
A sua ajuda é fundamental para nós da Gazeta de S. Paulo. Por meio do seu apoio conseguiremos elaborar mais reportagens investigativas e produzir matérias especiais mais aprofundadas.

O jornalismo independente e investigativo é o alicerce de uma sociedade mais justa. Nós da Gazeta de S. Paulo temos esse compromisso com você, leitor, mantendo nossas notícias e plataformas acessíveis a todos de forma gratuita. Acreditamos que todo cidadão tem o direito a informações verdadeiras para se manter atualizado no mundo em que vivemos.

Para a Gazeta de S. Paulo continuar esse trabalho vital, contamos com a generosidade daqueles que têm a capacidade de contribuir. Se você puder, ajude-nos com uma doação mensal ou única, a partir de apenas R$ 5. Leva menos de um minuto para você mostrar o seu apoio.

Obrigado por fazer parte do nosso compromisso com o jornalismo verdadeiro.

VEJA TAMBÉM

ÚLTIMAS

SEGURANÇA PÚBLICA

Sindicato protesta contra Derrite por exclusão da Polícia Civil de operação em SP

Presidente do sindicato dos delegados disse que decisão de Derrite de dar mais protagonismo à PM em detrimento à Polícia Civil pode 'fragilizar a estrutura policial'

Programa Jovem Aprendiz

Em busca do primeiro emprego? Empresa Raízen está com 240 vagas abertas

Interessados em se candidatar devem ter entre 16 e 21 anos; não é necessário ter experiência prévia

©2021 Gazeta de São Paulo. Todos os Direitos Reservados.

Layout

Software

Newsletter