Citando este trecho de seu poema, Trajeto, Bruna Lombardi fez uma celebração à vida, aos poderes femininos e convocou todos em um chamado para o autoconhecimento ao compartilhar detalhes de seu novo livro com o público da Casa Record, na 24ª FLIP – Feira Literária Internacional de Paraty.
Mulher mítica de nossa cultura, Bruna é em si um exemplo de metalinguagem: um mito falando de misticismo, saberes ancestrais e lendas, gerando impacto através das letras tanto quanto por sua presença diante das câmeras. Sua persona de símbolo artístico funde-se como sua alma gêmea – a mulher sábia, ancestral e atemporal.
Em um bate papo com a psicóloga Tatiana Paranaguá, autora do livro A alquimia dos arquétipos femininos, Bruna transitou entre os planos físicos, mentais e espirituais que compõe a existência humana, trazendo relatos pessoais e pensamentos provocativos que abrem caminho para ampliar a visão destes temas. Tatiana trouxe os arquétipos femininos também como ferramentas para esta jornada de autoconhecimento.
“Esta vida acelerada, alucinada, que nos transporta para longe de nós mesmos, não nos estimula a nos conectamos, nos conhecermos e nos descobrirmos. Essa conexão é sutil, mas fundamental. A partir desta, vem a conexão com o mundo, com a natureza e com o planeta, com aquilo que nos sustenta, e a conexão com o outro”. – disse Bruna
Seu processo criativo foi muito intenso, pois revelou que este livro nasceu de um trabalho quase devocional, que se precisasse varar a madrugada sem comer e dormir para poder escrevê-lo ela o faria, pois sentiu a força de suas palavras tomando-a como em uma canalização para receber algo muito maior e trazê-las até nós, leitores.
Bruna revelou ainda alguns segredos de sua personagem, Lorena, que parte em sua odisseia pessoal para descobrir-se e encontrar-se consigo após a morte de sua mãe. O que vem depois de uma perda tão central na vida de uma mulher? Lorena enfrenta este desafio, depara-se com a vida secreta de sua mãe, seus próprios medos, sua espiritualidade e autoaceitação com amor e humor, o que também é uma sabedoria.
Mulheres que sentem os espíritos convida a todas nós a ouvirmos o nosso chamado, a nos conectarmos à camada que nos une desde nossa ancestralidade, até hoje.
Convida-nos a perdermos o medo do mistério, acolhendo-o em nós. Sua história busca traduzir algo muito além do que uma religião ou fé pode proporcionar, é algo maior, que nos liga à grandiosidade da vida antes de qualquer narrativa, pois, segundo Bruna, ela é um resultado deste processo.
Com clima de conversa entre amigas (aquela que a gente quer que dure a tarde inteira, sabe?), foi emocionante participar desta homenagem ao sagrado feminino e, ao final, vê-la com seu sorriso tão afetivo e familiar dizer : “Eu acredito na vida”. Irresistível seu chamado.
Boa leitura! Você encontra este livro neste link.
