8 rodadas, 8 treinadores demitidos

Mais do que o demitido ou o contratado, o problema está em quem contrata

Demissão de Vojvoda no Santos foi justa, mas a escolha de seu substituto, um desastre

Demissão de Vojvoda no Santos foi justa, mas a escolha de seu substituto, um desastre | Raul Baretta/Santos FC

Que os treinadores têm vida curta no futebol brasileiro não é nenhuma novidade. Após apenas oito rodadas do Campeonato Brasileiro, oito comandantes já foram demitidos (se nenhum mais caiu enquanto eu escrevia este texto).
Nem mesmo o campeão absoluto do ano passado passou ileso, com Filipe Luís sendo demitido entre o fim da noite e começo da madrugada após vencer de goleada.

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Mais do que o demitido ou o contratado, o problema está em quem contrata. Este trabalho é dos dirigentes, que erram nas escolhas, pecam pela impaciência, contratam por confiança de trabalhos antigos ou de boas referências de amigos e rasgam o dinheiro do clube ao demitir e trocar novamente, como se fosse um jogo de videogame.

Contudo, a impressão que fica é que cada vez o torcedor começa a cobrar quem tem que verdadeiramente ser cobrado: os dirigentes e presidentes de cada clube, que contratam treinadores que, muitas vezes, em nada têm a ver com o antecessor, causando uma ruptura total no trabalho, ou trocando seis por meia dúzia, justificando apenas “melhoria de ambiente”, afinal, a desculpa de “perdeu o vestiário” é uma das mais antigas do futebol.

Elenco paneleiro que derruba treinador, ou dirigente que contrata mal e monta times desequilibrados que não casam com o estilo de jogo do comandante selecionado? Quando saber quando é hora de mudar? Alguns treinadores também, quando raramente são bancados no cargo, imitam os dirigentes e pulam fora na primeira oferta, e assim o ciclo vicioso segue.

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Há casos em que a mudança é correta, quando se troca por um profissional melhor. Renato Gaúcho no Vasco reviveu o time de Fernando Diniz que vivia em um marasmo há meses. É melhor treinador e, mesmo que não entregue um grande resultado final, foi uma das poucas escolhas que fizeram sentido. A troca cruzeirense de Tite por Artur Jorge também pode ser entendida, teve motivos e foi feita por alguém que volta ao Brasil depois de ter ganho quase tudo no País.

Se a SAF (transformar o clube em empresa e vender para um dono bilionário) um dia foi tida como a grande solução, agora o Botafogo escancara que não é simples assim, trocando mais uma vez de técnico e perdido em dívidas e montagem de elenco, com o antes ídolo John Textor agora algo da torcida por uma coleção de erros no planejamento financeiro e esportivo da equipe.

Até o outro técnico campeão no ano passado, Dorival Júnior, começa a ser questionado e balançar no cargo após uma sequência de sete jogos sem vitória, mesmo analisando que a diretoria trouxe mais reforços pedidos por Memphis Depay (que nem deveria ser encarregado disso) do que os pedidos pelo próprio treinador (sejam eles de grande qualidade para o nível do Corinthians ou não).

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Em outro cenário, um treinador que havia ficado pouco mais de quatro anos no Fortaleza, durou apenas sete meses no Santos, mas, sendo justo neste caso, Vojvoda errou demais e em muitos jogos. Entretanto, na hora de escolher o substituto… o presidente do Santos fez o clube caminhar para uma decisão muito triste em sua história.