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O CAMPEÃO VOLTOU?

Arsenal encanta e merece mais do que nunca ser campeão inglês

Saka faz suas jogadas incríveis, Martinelli realiza belas arrancadas, e Odegaard como o maestro do time, que joga como uma bela sinfonia

Leonardo Sandre

Publicado em 23/01/2023 às 12:46

Atualizado em 23/01/2023 às 15:00

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Os Gunners abriram vantagem na liderança da Premier League / Reprodução/Instagram

A Premier League, a liga da Inglaterra, é conhecida como a mais difícil do mundo (ou ao menos da Europa). Manchester City conquistou diversas vezes essa competição, com campanhas espetaculares. Liverpool também foi campeão recentemente, e protagonizou com o City um feito inédito: foi vice campeão para os citizens, tendo 97 contra 98 pontos. O Chelsea também conquistou títulos relevantes da Premier League, e Manchester United - já com um certo tempo de jejum -, também já levantou a taça.

O Arsenal não conquista o torneio desde a temporada 2003-04, quando ganhou de forma invicta, o único até hoje a conseguir tal feito. Em 38 rodadas, foram 26 vitórias e 12 empates, e o único clube a ganhar a taça dourada, em homenagem ao feito histórico da equipe (geralmente o troféu é prateado). Tirando o Tottenham, é a equipe com o maior jejum, mas isso não serve nem de consolo, já que seu rival só ganhou duas vezes a competição: última vez que o Tottenham ganhou a liga foi em 1960-61, e nem deveria ser considerado um dos seis grandes da Inglaterra, mas este debate eu deixarei para outra hora.

Na temporada 2015-16 o campeão foi uma zebra: Leicester City, ao fazer 81 pontos. Uma equipe pequena, zebra, que revelou ao mundo grandes jogadores como Kanté (hoje no Chelsea e campeão do mundo), Mahrez (destaque do City), Schmeichel (goleiro de destaque mundial) e Jamie Vardy (centroavante que chegou a ser titular da seleção inglesa). O vice naquela temporada? Arsenal, com 71 pontos. Única equipe a vencer o Leicester nos dois turnos naquela edição.

Os Gunners (como é conhecido o time do Arsenal) passaram por grande reformulação: Arsène Wenger comandou a equipe por cerca de 22 anos, e classificou a equipe para a UEFA Champions League em todas as temporadas, com exceção a última.

Na última participação da equipe no torneio, em 2016-2017, foram eliminados nas oitavas pelo Bayern, levando 10 a 2 no agregado.

Passou por lá Unai Emery, que não levou a equipe para a UCL, e foi vice-campeão da Europa League, após ser goleado pelo Chelsea na final. Após a demissão de Unai Emery, Arteta foi anunciado como novo técnico do Arsenal no dia 20 de dezembro de 2019. Mais de três anos no comando do time, que começou a dar frutos.

O atual treinador do Arsenal tem dois títulos pelo clube como treinador: uma Copa da Inglaterra e uma Supercopa Inglesa. Foi criticado e chegou a ficar na corda bamba, mas bancado pela direção.

O elenco dos Gunners nem de longe é o melhor da Inglaterra. Jogadores muito jovens, alguns ainda apenas promessas, mas um time surrealmente muito bem treinado e encaixado. Ramsdale (24), White (25), Gabriel Magalhães (25), Saliba (21), Zinchenko (26), Partey (29), Xhaka (30), Odegaard (24), Saka (21), Martinelli (21), Jesus (25)/Nketiah (23). Embora o time tenha uma idade baixa, o futebol está muito alto. São 50 pontos em 19 jogos. 50 em 57 possíveis, algo impressionante. 16 vitórias, 2 empates e uma única derrota. Venceu o rival Tottenham nos dois turnos, venceu Chelsea, United e Liverpool, e ainda não enfrentou o City.

Mesmo com elenco curto, o Arsenal joga como se cada bola fosse a última, como se cada jogo fosse uma final. E vence e convence. Se de fato o time conseguirá quebrar o jejum e voltar a conquistar a liga nacional após quase 20 anos, não dá para cravar, mas que essa equipe merece, isso é fato. Pep Guardiola, o melhor técnico do mundo, atualmente no rival Manchester City, elogiou o líder da liga, e pareceu jogar a toalha, mesmo sendo o vice-líder. Para mim, apenas jogada de marketing, pois o City tem totais condições de passar o Arsenal na tabela, afinal tem mais dinheiro, mais elenco, e mais obrigação de ser campeão.

A meta inicial dos Gunners era voltar para a Champions League, mas com um futebol encantador, viram que poderiam sonhar mais alto. Nem mesmo a lesão de Gabriel Jesus atrapalhou o sonho do lado vermelho de Londres até agora. Um recado também ao futebol brasileiro: com respaldo e tempo de trabalho, um bom treinador pode levar a equipe ao sucesso. Mais paciência, menos imediatismo.

Saka faz suas jogadas incríveis da direita para o meio. Martinelli com arranque invejável pela esquerda, e Martin Odegaard como o maestro do time, que joga como uma bela sinfonia. Como amante do bom futebol, espero que esse time siga jogando nesse alto nível, sufocando todos os rivais. Como um grande simpatizante a adepto do Arsenal, torço para que esse time entre de vez para a história do futebol.

É bonito de ver quando o tempo e confiança em um projeto, pode vencer a ganância, as equipes que pensam que é apenas com dinheiro que se pode fazer história. Um clube grande, sem precisar de sheiks ou bilionários injetando grana na equipe. Uma instituição que está perto de se reerguer mostrando o peso de sua camisa, de forma "raíz". No fim, pode até acabar perdendo o título da Premier League, mas esse primeiro turno foi uma ótima mensagem para o futebol inglês e também brasileiro. Contratar equipe para render a curto ou longo prazo? Deixo essa reflexão aos dirigentes.

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