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NOVO CICLO

Brasil precisa definir qual é o objetivo principal destas eliminatórias

Seleção precisa testar o maior número de opções possíveis, não adianta repetir as mesmas caras que todos já sabem como rendem

Leonardo Sandre

Publicado em 16/10/2023 às 16:00

Atualizado em 16/10/2023 às 16:16

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Fernando Diniz, técnico da Seleção Brasileira / Vitor Silva/CBF

Fernando Diniz, para muitos entusiastas do jogo "moderno", é responsável por armar times "mágicos" que atacam muito bem e de maneira envolvente, fazendo o público gostar de ver a partida. De fato, na temporada 2023 pelo Fluminense, o treinador vem alcançando grandes resultados. Venceu o estadual e está na final da Copa Libertadores pela segunda vez na história. Já seu início na seleção...

Abel Ferreira e Dorival Júnior eram dois treinadoress com mais currículo e mais resultados que Fernando Diniz. Mesmo assim, a CBF optou pelo treinador do Fluminense, para fazer as duas funções, talvez até pelo forte apreço que os atletas têm por ele. Porém, em três jogos, o encantamento ainda passou longe.

Foram apenas três jogos, muito pouco para analisar, é verdade. Até porque o futebol jogado também foi quase nulo. Uma vitória contra a Bolívia, em casa, foi a única grande atuação. A seleção boliviana perdeu os três jogos até aqui e contra a seleção canarinho ainda jogou como visitante, longe da sua arma principal: a altitude.

Uma vitória sofrida contra o Peru no segundo jogo, gol perto do fim da partida, de Marquinhos. Um jogo abaixo, sem grande rotatividade no ataque, sem grandes jogadas individuais, sem quase nada. Pouco para enfrentar uma seleção peruana bem enfraquecida depois da saída do treinador Ricardo Gareca.

Um empate em casa contra a Venezuela foi o resultado alarmante.  A seleção venezuelana nunca disputou uma Copa do Mundo. Talvez possua até a sua melhor geração da história atualmente, mas ainda assim o dever brasileiro era vencer sem dificuldades. Porém, no fim das contas, a dificuldade veio, e a vitória não.

Planejamento para o ciclo

Com o aumento de vagas para o Mundial, a seleção já está com um pé e meio garantida na Copa de 2026. Sendo assim, a CBF deve decidir qual será o objetivo principal do Brasil. Garantir matematicamente o quanto antes? Testar jogadores para renovação de nomes? Jogar um futebol bonito para reconquistar os corações machucados após uma eliminação vergonhosa e para lá de dolorida para a Croácia? São muitas opções.

Diniz será o treinador pelo menos até a Copa América do ano que vem. Após isso, o que a CBF banca é que chegará Carlo Ancelotti. Pois bem, então vamos considerar o que é a realidade de hoje, por posição:

Os goleiros não dão dor de cabeça. Mesmo nenhum tendo uma grande atuação pela seleção já há algum tempo, os três convocados e mais dois de fora ainda parecem aptos.

Na zaga, até aqui, uma excelente e uma má nóticia. Gabriel Magalhães fez três bons jogos e parece ser o nome ideal para cuidar do lado esquerdo da zaga brasileira. Já Marquinhos, embora tenha feito gol contra o Peru, fez jogos ruins contra Bolívia e Venezuela, e pelo PSG está bem longe de viver seu auge. Considerando o retorno de Militão, Marquinhos deveria virar reserva deste time (ou até mesmo ficar de fora). O Brasil precisa testar o maior número de opções possíveis, não adianta repetir as mesmas caras que todos já sabem como rendem.

Nas laterais, uma lenta mas esperançosa renovação. Yan Couto (embora tenha feito uma declaração extremamente terrível chamando Daniel Alves de ídolo para todos) teve uma boa estreia pela direita. Carlos Augusto é um bom nome pela esquerda. Arana, Vanderson, nenhum nome tão estrelado, mas boas opções para testar.

No meio de campo, o atestado de que Lucas Paquetá faz falta. Sua agilidade e criação ofensiva são importantes para a seleção. Casemiro e Bruno Guimarães também são nomes seguros. Joelinton com grandes atuações pelo Newcastle. André ainda é uma incógnita na seleção, enquanto Gérson parece não ser jogador que vencerá por muito tempo a disputa por uma vaga entre os selecionados.

Para o ataque, é necessária muita atenção. O time de Fernando Diniz, que deveria ter o ponto forte no ataque, marcou dois gols nos últimos dois jogos, sendo eles apenas de bolas paradas. Nenhum gol de jogadas criadas. Neymar ainda parece estar se adaptando a ser o "faz-tudo" em campo de Diniz, indo buscar a bola na zaga, jogando de volante, meia, ponta e até atacante. Vini Jr ainda não se achou pela seleção, está longe de ser o mesmo do Real Madrid. Rodrygo alterna bons e maus momentos. Raphinha, lesionado, havia desempenhado melhor. Martinelli, que retornou agora de lesão, pede passagem para uma chance não só entre os convocados fixos, mas como titular da seleção.

Na vaga de 9, Richarlison precisa de um descanso. Talvez até mesmo deixar de ser chamado, ao menos por um período. Não está bem, e não adianta forçar. Matheus Cunha não tem números que justifiquem sequer sua titularidade no Wolves, quanto mais sua convocação para a seleção brasileira. Gabriel Jesus é um ótimo jogador, mas é preciso de adaptações para jogar de 9. Com Arteta no Arsenal, talvez ele seja a melhor opção para o momento. Um falso nove com Martinelli, Roddrygo ou até mesmo Neymar também não é má ideia.

Não é momento de teimosia nem de insistência, é hora para testar e ver novos nortes para a seleção.

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