Com ou sem Neymar, Brasil precisa jogar muito melhor

Ganhando ou perdendo, o debate sempre é o mesmo: 'mas e o Neymar, hein?'

Se com Neymar em campo o Brasil jogar melhor, que o time seja montado em volta dele, sendo ele e mais 10

Se com Neymar em campo o Brasil jogar melhor, que o time seja montado em volta dele, sendo ele e mais 10 | Vitor Silva/CBF

Mais um amistoso desafiador, mais uma derrota. Perder para a França por 2 a 1, hoje, não é um absurdo, mas há detalhes que precisam melhorar, e muito, começando por Carlo Ancelotti, o comandante tido como “salvador da pátria”.

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Não é novidade que jogar no 4-2-4 não é apropriado para grandes jogos, afinal, a formação vem sendo utilizada principalmente desde a saída do Tite. No vexame contra a Argentina, foi a mesma formação utilizada, ainda com Dorival Jr. no comando.

Para a segunda etapa contra a França, Ancelotti mudou bem a equipe, melhorou o jogo e, logo após, piorou tudo. Com a saída de Raphinha, lesionado, Luiz Henrique entrou bem e elevou o nível de ataque, fazendo a equipe crescer no jogo. Martinelli mais centralizado, criava dificuldades para a defesa por sua movimentação constante, e Vini, pela esquerda, mostrava seu melhor (e único bom) momento no jogo.

Após a expulsão de Upamecano, defensor francês, o treinador mexeu na escalação, trocou Martinelli por João Pedro, centroavante de ofício, e trocou Luiz Henrique de lado. Deste momento em diante, o volume brasileiro praticamente morreu, voltando só após achar um gol, depois que já havia levado o segundo, mesmo com um homem a mais.

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Mais uma vez, Vini decepcionou com a camisa da Seleção, tendo perdido, inclusive, uma chance clara no último momento do jogo.

Ganhar da França não faria o Brasil virar o principal candidato ao título da Copa, assim como perder para os franceses não significa que a Amarelinha chega sem nenhuma chance no Mundial. Mas o desempenho preocupa.

Ancelotti parece não conhecer ainda a equipe que tem em mãos e aposta no seu passado no Real Madrid para se convencer dos jogadores que merecem ou não ser titulares da Seleção. Pior que isso, o comandante se diz satisfeito com o que tem visto. Porém, se nem Ancelotti der jeito, quem mais seria capaz? E o debate, ganhando ou perdendo, sempre é o mesmo: “mas e o Neymar, hein?”.

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Para alguns, parece que debater a presença de Neymar é mais importante do que debater o motivo do ciclo do Brasil para a Copa de 2026 ser tão ruim e vergonhoso. Fato é que Neymar praticamente não atuou neste ciclo. Se para tanta gente, ele resolveria os problemas, deveria ter sido testado. Raphinha se lesionou, e o camisa 10 do Santos poderia ter sido chamado no lugar. “Neymar não precisa de testes”, foi o que o treinador disse. Errou.

Se com Neymar em campo o Brasil jogar melhor, que o time seja montado em volta dele, sendo ele e mais 10. O que não pode acontecer é ele jogar apenas na Copa. É inegável que, sozinho, Neymar já rendeu na Seleção mais do que Vini, Raphinha e cia. somados, ao menos em amistosos. Mesmo que o cenário físico atual do Camisa 10 seja outro, vale o teste

Não tem centroavante definido, não tem zagueiros reservas que passem confiança e os únicos laterais confirmados na Copa são dois veteranos que estão longe de viverem o auge de suas qualidades (Alex Sandro e Danilo). O volante titular voltou ao time apenas com o retorno de Ancelotti, os pontas não marcam gols e pouco criam. 

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Se na última Copa o Brasil chegou bem e decepcionou, resta torcer para que agora, o cenário seja o inverso: decepção no ciclo, e volta por cima no Mundial. E convenhamos, isso acontecer não seria nenhuma novidade para o pentacampeão.