Um presidente de um grande clube não deve tomar suas ações baseadas na opinião do torcedor, que, quase em 100% dos casos, é passional e pensa somente na emoção e não na razão. Porém, tomar todas as ações praticamente contrárias aos desejos da massa é algo que beira o inacreditável.
Osmar Stábile, presidente do Corinthians, nunca demonstrou gostar de Memphis Depay. Na verdade, sempre pareceu ser contra a contratação e permanência daquele que era um dos principais críticos aos cartolas alvinegros. E, para o incômodo da Fiel Torcida, terá o rosto marcado como o presidente campeão da Copa do Brasil 2025, mesmo que a política tenha só atrapalhado o clube.
Memphis Depay trouxe títulos e causou boa repercussão
Os números de Memphis Depay pelo Timão são aceitáveis para bons. Não é o craque do futebol brasileiro, mas era um dos protagonistas da equipe, papel para o qual foi contratado. Talvez, se ganhasse R$ 1 milhão a menos, fosse menos criticado pelos cartolas.
Com três títulos no currículo, lances marcantes contra o Palmeiras, golaço contra o São Paulo e gol na final da Copa do Brasil, Memphis foi um dos responsáveis pela arrancada do Corinthians em 2024, salvando-o do rebaixamento e chegando à vaga na Libertadores.
Em 2025, levantou duas taças e esteve em campo em jogos importantes, embora tenha ficado devendo nas competições sul-americanas. Já em 2026, título da Supercopa e uma temporada, esta sim, muito abaixo em número de jogos e gols marcados, sendo um fiasco total também na Copa do Mundo pela Holanda.
No balanço geral, a contratação deu certo. Trouxe marketing, títulos, gols e o apego da torcida para com o time. Em crise financeira, a equipe precisava cortar gastos e, sendo assim, precisava contar com a compreensão de Memphis, algo que aconteceu. Após abaixar (e muito) seu salário inicial, o holandês seguia irritando a diretoria por exigir garantias de que seu pagamento não atrasaria, mesmo já tendo aceitado negociar exatamente outros vencimentos atrasados.
Com a queda física e técnica apresentada, talvez Memphis realmente não entregasse mais o que poderia dentro de campo, mas não deveria ter uma saída conduzida de forma tão amadora, sendo usado de escudo para uma “responsabilidade financeira” em uma dívida total que mal pareceu diminuir.
O atrito com a diretoria
As frases “aos diretores que estão f*dendo este clube, vão fazer merda em outro lugar” e “muitas pessoas de dentro do clube trabalham contra o próprio clube” incomodaram, mas atingiram exatamente quem necessitava ser atingido. Contudo, Memphis pagou um preço.
No mundo dos cartolas poderosos, jogador que muito fala, é vilanizado. O futebol sempre costumou ser assim, não só no Timão. No lado de um dos rivais, após um vexatório 6 a 0 para o Fluminense, o volante Luiz Gustavo, então do São Paulo, fez uma forte declaração contra a diretoria do clube, e, por coincidência ou não, acabou dispensado sem ter o contrato renovado. Poucos meses depois, o presidente Casares renunciou.
Foram 79 jogos, com 20 gols e três títulos. Mas a identificação e a demonstração de descontentamento com a situação corintiana também animavam o torcedor, como um alívio no meio de tanta preocupação.
Nem tudo foram flores. Memphis também entregou atuações ruins em jogos grandes, priorizou a seleção em momentos-chave e fez exigências descabidas no contrato inicial (como a moradia na cobertura mais cara do Brasil). Mas, no acordo de renovação, fez exigências mais realistas.
Eliminação com Memphis de camarote
O retrato mais ridículo de toda esta novela ficou para a eliminação corintiana da Copa do Brasil para o Internacional, na última quinta-feira (6/8). Campeão e com gol na final em 2025, Memphis (apto fisicamente para jogar), assistiu do camarote da arena, por culpa da diretoria ainda não ter renovado seu vínculo.
Técnico da equipe, Fernando Diniz reforçou que contava com o atleta e que ele seria muito importante. Todavia, a diretoria optou por voltar atrás e desistir do acordo.
Pior que quem sai, é quem fica
De fato, ao trazer o camisa 10, o Corinthians ofereceu muito mais do que podia pagar. Não à toa, deve cerca de R$ 42 milhões, que podem ultrapassar os 70 milhões. Contudo, pior que dever isto para um atleta que atua pelo clube, é ter esta dívida com alguém que foi dispensado e sequer atuará mais pela equipe. Ainda mais alguém que era peça-chave no elenco.
Sendo assim, para a Fiel Torcida, a única notícia pior que uma saída de um craque, é a permanência de um cartola. Memphis sai, mas Stabile fica, e a luz no fim do túnel para os corintianos novamente parece se apagar.
