Com um calendário “maluco” no futebol brasileiro devido ao Mundial de 2026, o começo de temporada premiou quem se planejou melhor: o Corinthians de Dorival Júnior.
Embora tenha o melhor e mais valioso elenco do Brasil, o Flamengo poupou no estadual e iniciou o Brasileirão e decidiu a Supercopa com os jogadores em rotação abaixo, chegando a três derrotas seguidas pela primeira vez em quase três anos.
O plano era deixar o sub-20 atuando no estadual e deixas as estrelas apenas para o início do nacional. Com resultados ruins e o time com chances de não avançar para o mata-mata e de ter que disputar o quadrangular contra o rebaixamento, algumas peças tiveram o retorno antecipado.
Ainda que tenha vencido o Vasco da Gama com algumas peças titulares, o Rubro-Negro saiu derrotado para o Fluminense, no Carioca, para o São Paulo, no Brasileiro, e ainda mais importante, para o Corinthians, na decisão da Supercopa do Brasil.
Se a ideia era de que o time iria decidir quando precisasse e que a técnica iria se sobressair ao físico, o erro foi óbvio. O que se viu no Mané Garrincha foi um time com pouca imposição física, que perdeu quase todas as divididas para o Timão.
Além disso, Filipe Luís errou nas alterações e piorou o time que já não estava bem, muito embora a expulsão inédita após o intervalo tenha atrapalhado seu pensamento e gerado debates.
A estratégia do Corinthians de Dorival
Do lado corintiano, o planejamento foi atingido da melhor forma. Dorival mesclou entre titulares e reservas no Paulistão e chegou com um time inteiro fisicamente (embora tenham passado por uma crise de virose) para a decisão. Com uma posição positiva no estadual, embora não tenha encantado em algumas das partidas, mostrou que o foco seria conquistar a primeira taça da temporada, e nisso, Dorival acertou em cheio.
Enquanto o Flamengo colocava seus titulares para tentar um placar positivo contra o São Paulo, o Corinthians poupava suas peças principais mesmo perdendo para o Bahia. O recado era claro: a prioridade era a decisão.
O treinador que, por clubes, só foi superado uma vez no mata-mata desde 2021, mostrou repertório e frieza e colocou em campo um time que ditou o ritmo das divididas e soube sofrer o necessário para uma vitória por dois gols (que deveriam ter sido de três, caso o VAR estivesse funcionando).
Mesmo com uma atuação abaixo de Memphis individualmente, o Timão teve o destaque de toda a linha defensiva, o brilho de Breno Bidon e mais uma vez a estrela de Yuri Alberto para uma vitória muito merecida.
Ironicamente, mostrando que futebol se ganha dentro das quatro linhas, o time que tanto sofre com a falta de dinheiro viu seu rival ter no pé do jogador estreante e que custou R$ 260 milhões a bola do empate, que foi isolada quase que dentro da pequena área.
O futebol é um jogo de estratégia, e neste duelo de xadrez, Dorival mostrou que estava mais preparado que Filipe Luís. Bom para a torcida corintiana que pôde comemorar seu terceiro título em menos de um ano, deixando os problemas financeiros e políticos de lado e ganhando dentro de campo.
