Corinthians e São Paulo sob nova direção: esperança ou fracasso

Clássico Majestoso mostrou dois extremos: um Corinthians motivado e mandando no jogo de um lado e um São Paulo esfacelado, sem organização tática do outro

Diniz revigorou o Corinthians, enquanto Roger Machado desmontou o São Paulo

Diniz revigorou o Corinthians, enquanto Roger Machado desmontou o São Paulo | R.Coca/Ag.Corinthians e R.Chiri/SPFC

Trocar de treinador é algo constante, especialmente no futebol brasileiro. Contudo, como já dito nesta coluna, muito além do comandante contratado, o problema está em quem contrata.

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No domingo (10/5), vimos dois extremos no clássico Majestoso: um Corinthians motivado e mandando no jogo de um lado e um São Paulo esfacelado, sem organização tática e perdido no jogo do outro. Ambos com técnicos “novos”, por motivos distintos.

O Timão trocou o comandante após uma sequência negativa e demitiu o multicampeão Dorival Jr. Fernando Diniz assumiu a equipe e deu aquele gás novo, típico de um novo treinador. É cedo para avaliar se o treinador deu certo ou não, ainda mais ao considerarmos que a tônica dos trabalhos de Diniz costuma ser essa: começar bem e encantar, mas ir derretendo pelo caminho.

Bem na Libertadores, o Corinthians ainda está na parte baixa da tabela, mas joga um futebol bom o bastante para dar esperanças ao torcedor de dias melhores.

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Diniz, que segue mostrando erros que ele carrega há anos (como a saidinha desnecessária, ainda mais encarregando Raniele desta função), tem méritos no resgate do futebol de Rodrigo Garro, que voltou a ser o pulmão da equipe corintiana. Ao passar pelos pés do meia argentino, o Timão cria, distribui, finaliza e marca.

Já o Tricolor Paulista trocou o comando técnico por um motivo bizarro. A equipe era líder do Brasileirão ao lado do Palmeiras e contava com o apoio da torcida. Em uma decisão pessoal de membros da direção que quase nenhum torcedor aprovou, Hernán Crespo foi demitido e Roger Machado foi o escolhido. Contudo, já chegou desaprovado pela ampla maioria dos são-paulinos.

Com duas vitórias nos dois primeiros jogos, o São Paulo logo decaiu no nível de futebol, perdendo o meio-campo que era tão forte com o treinador anterior, sem mostrar efetividade na criação de jogadas e sem agradar o seu torcedor. Talvez a única coisa boa até agora tenha sido a chegada de Artur, emprestado pelo Botafogo.

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Roger Machado mudou o jeito de jogar, tirou do Tricolor os pontos mais fortes da equipe e não foi capaz de redistribuí-los para outros setores. A bronca da torcida pode até ser acima do tom, mas o treinador também comete erros desnecessários. Ir para Itaquera, onde o São Paulo não costuma conseguir grandes resultados, com um time ofensivo e exposto, era arriscado. O primeiro tempo mostrou que a estratégia era um erro, e a equipe ainda contou com um gol “doado” pelo estilo Diniz de ser. Mesmo assim, o treinador insistiu na teimosia e foi dominado na segunda etapa.

Mesmo ainda no G-4, a equipe parece estar numa “colocação culposa”, e, embora bem alta na tabela, a equipe pontuou pouco nas últimas rodadas e está a “apenas” seis pontos do Z-4.

Sendo assim, a decisão das duas diretorias, até o momento, mostra-se com resultados opostos: Diniz revigorou o Corinthians, enquanto Roger Machado desmontou o São Paulo. E a solução são-paulina, por ironia do futebol, deveria ser o recém-demitido do rival do Parque São Jorge.