Acordo com EcoRodoviasprejudica a Baixada

Na última sexta-feira, dia 30 de abril, o governo estadual fechou um novo acordo com a EcoRodovias para estender o contrato de concessão do Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI) até março de 2033

A Baixada Santista é uma região estratégica para o Estado de São Paulo e qualquer decisão impacta de forma direta ou indireta toda a população. Na última sexta-feira, dia 30 de abril, o governo estadual fechou um novo acordo com a EcoRodovias para estender o contrato de concessão do Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI) até março de 2033. Anteriormente, o prazo seria até março de 2024. Com isso, a concessionária, que opera o trecho desde 1998 com a marca Ecovias, se comprometeu a investir R$ 1,1 bilhão nas duas rodovias que conectam a Grande São Paulo com a região e ainda depositar R$ 613 milhões em garantias ao governo.

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Poderia ser uma excelente notícia, no entanto, o novo contrato não prevê investimentos que atendem de forma efetiva às necessidades da Baixada, que tem uma enorme importância econômica e cultural para o nosso Estado. Hoje, a região tem grandes obras em andamento e outras que ainda nem saíram do papel que são vitais para impulsionar o desenvolvimento e melhorar a mobilidade urbana.

Uma delas é a ligação seca entre Santos e Guarujá, por meio da construção de uma ponte ou um túnel. O projeto seria executado pela própria Ecovias, mas não há no novo contrato nenhum valor destinado a essa obra.

A ligação seca traria benefícios tanto ao setor de mobilidade urbana quanto ao portuário. O percurso entre os municípios seria reduzido de 45 quilômetros para menos de 20 quilômetros. A operação da balsa seria otimizada. O tempo de viagem das cargas do Porto de Santos seria três vezes menor (passando de uma hora para 20 minutos) e a circulação de pessoas entre as cidades seria potencializada.

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A verba também poderia ser utilizada para finalizar a reforma da Ponte dos Barreiros, que liga a área insular à continental de São Vicente, ou na extensão do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos). Duas obras de grande necessidade e que faria muita diferença na vida da população que precisa de mais opções de acesso aos municípios vizinhos.

A segunda fase da expansão do sistema de transporte está em andamento, mas, provavelmente, não ficará pronta até o fim do mandato do atual governo estadual, o que atrasa ainda mais a fase 3, importante e urgente etapa, que faria uma ligação da Praia Grande até Santos. Se os investimentos fossem direcionados de forma correta, o processo poderia ser iniciado e a população não precisaria esperar vários anos por uma solução efetiva.

Esse novo contrato coloca em dúvida a sua verdadeira intenção por não considerar as demandas regionais e prejudicar ainda mais os moradores e quem frequenta a Baixada, pois ele ainda impede que a concessionária diminua o valor dos pedágios nas rodovias.

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É inadmissível que a região que possui o maior polo industrial da América Latina e abriga o principal porto do Brasil seja tratada com descaso pelo governo paulista.

A falta de planejamento e comprometimento para lidar com a Baixada já não surpreendem mais, mas, ainda assim, esperamos que até o final deste mandato, o governo estadual tenha mais atenção e comprometimento com as demandas que realmente são urgentes e zele pela sua população.