Para as mulheres da minha vida

Sobre as que me salvaram, mesmo sem saber

Sobre as que me salvaram, mesmo sem saber

Sobre as que me salvaram, mesmo sem saber | Freepik

Eu não nasci forte.

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Eu fui sustentada.

Venho de Ibimirim, no sertão de Pernambuco. Terra de sol duro, de escassez, de mulheres que aprendem cedo a não desmoronar. Minha avó, Rita Maria de Barros, suportou violências que não deveriam caber na vida de ninguém e ainda assim criou quatorze filhos. Quatorze. Quando penso nela, penso que força nem sempre é escolha. Às vezes é sobrevivência. Às vezes é amor que se recusa a morrer.

Minha mãe, Mônica Lins, aos dezoito anos saiu do Nordeste sozinha para criar três filhas. Não havia rede de apoio. Não havia garantias. Havia responsabilidade. Havia coragem. Havia um tipo de fé que não era discurso, era movimento.

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Minhas irmãs, Monique e Maquerly, foram as primeiras a dividir comigo não apenas sonhos, mas pesos. Crescemos aprendendo que ser mulher não era competir por espaço, era multiplicar abrigo. Elas me lembraram desde cedo que parceria feminina não é fragilidade, é estratégia de sobrevivência.

Eu já vinha sendo salva antes mesmo de entender o que isso significava.

Depois vieram as mulheres que me encontraram no meio do caminho. Isabela Carvalho e Thamires Marinho ficaram quando eu estava na minha versão mais escura. A depressão tem um jeito cruel de convencer você de que é um fardo. Elas não acreditaram nisso. Elas ficaram. E permanecer é um dos atos mais poderosos que uma mulher pode oferecer à outra.

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Thaís Rosa esteve comigo quando dissolvi a minha antiga empresa e vi o projeto de uma vida inteira desmanchar diante dos meus olhos. Ela não tentou consertar minha dor. Ela sustentou meu silêncio e disse: “eu tô aqui” e isso era a única coisa que eu realmente precisava.

Ana Lisboa me conheceu começando. Sem glamour. Sem palco. Sem segurança. E me olhou como gente, não como oportunidade, esteve comigo em momentos que eu achei que não ia suportar e me fez olhar pra lugares que eu jamais conseguiria enxergar sozinha. Amizade também é uma forma de reconhecimento.

Victoria Marcelle me apresentou a Deus de um jeito que não tinha culpa, não tinha medo, não tinha punição. Ela me ensinou sobre amor enquanto atravessava o pior momento da própria vida. Há mulheres que evangelizam com palavras. Ela evangelizou com exemplo.

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Geovana Quadros realizou sonhos meus que eu nem sabia nomear. Não porque precisava, mas porque queria me ver crescer. Existe uma generosidade que não pede aplauso. Ela pratica essa.

Na adolescência, foi Clarice Lispector quem segurou minha mão sem saber. Eu lia o que não conseguia explicar. Lia o que sentia e não sabia nomear. Clarice me ensinou que sentir profundamente não era fraqueza, era identidade.

Anos depois, Brené Brown me mostrou que vulnerabilidade não é exposição irresponsável, é coragem estruturada. Foi uma ponte para o empreendedorismo, para o palco, para o TEDx, para entender que contar a própria história pode ser serviço.

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E então vieram as minhas seguidoras, minhas alunas, mulheres que me escrevem dizendo que encontraram força em algo que eu disse. Elas talvez não saibam, mas me salvam todos os dias. Elas me lembram do meu propósito quando o cansaço aparece. Elas me obrigam a continuar coerente com aquilo que ensino. Elas me sustentam quando penso que estou ensinando.

Talvez seja isso o que nos une.

Nós, mulheres, mudamos a vida umas das outras com presença. Com exemplo. Com permanência. Com fé emprestada quando a outra não tem.

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Eu não sou fruto apenas da minha força.

Sou fruto de muitas mãos femininas que me impediram de cair.

Se hoje eu consigo sustentar alguém, é porque fui sustentada primeiro.

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Se hoje eu consigo iluminar, é porque muitas foram luz quando eu estava atravessando a minha própria escuridão.

Ser mulher, para mim, é isso.

É ser continuação.

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E se há algo que aprendi com todas elas é que nenhuma de nós se salva sozinha. Nós nos levantamos em rede, em silêncio, em amor.

Eu sou feita de mulheres.

E talvez esse seja o maior privilégio da minha vida.