Eleição da vacinação

Não é a vacina de um político e nem de um país, é a substância que vai servir para diminuir drasticamente as mortes e os casos do coronavírus no mundo

João Doria foi vacinado em maio contra o novo coronavírus

João Doria foi vacinado em maio contra o novo coronavírus | Reprodução/Instagram

É tradição no Brasil a campanha política começar até um ano antes do pleito, isto não é novidade. Inédito mesmo é a eleição estar desta vez atrelada a uma campanha de vacinação. Quem apoia a vacina, quem é contra, quem vacina mais e quem vacina menos.

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Pode apostar que os vídeos da campanha eleitoral vão citar que na época da pandemia o governante tal foi o que mais vacinou a população, ou quem vacinou primeiro. Inicialmente, a competição da vacina é saudável, porém no Brasil tudo se complica. Temos suspeitas de doses vencidas sendo aplicadas, de desvio e também do superfaturamento na compra pelo governo federal.

Outro fato que será utilizado na campanha é o tipo das vacinas. Do dia para noite todos os brasileiros milagrosamente passaram a entender tudo sobre testes e taxa de eficácia de um imunizante. Como se não bastasse negar a gravidade do vírus, quando se tem a oportunidade de não contrair a forma grave da doença somente ao tomar uma injeção, os negacionistas aproveitam para duvidar de toda a história da humanidade e séculos da ciência.

Prova disso é o preconceito com a vacina do Instituto Butantan. Após o governador paulista João Doria (PSDB) contrair a Covid-19 pela segunda vez, mesmo estando imunizado com as duas doses da CoronaVac, choveram fake news e notícias distorcidas sobre a vacina. A principal delas é a que no Chile casos de coronavírus tiveram aumento e lá a população está recebendo a CoronaVac. Porém, o que não contam é que lá foram flexibilizadas as medidas de proteção antes da vacinação atingir os 70% da população.

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Ainda no Chile, um estudo sobre a efetividade da CoronaVac, publicado no último dia 7, pela revista científica New England Journal of Medicine, mostrou que o imunizante teve efetividade de 86% em mortes provocadas pela Covid-19, 65,9% em prevenção dos casos, 87,5% na prevenção de hospitalizações e 90,3% na prevenção de internações em UTis.

Há de se ter responsabilidade pelas informações compartilhadas. O próprio presidente Jair Bolsonaro em diversos vídeos fez questão de desdenhar da eficácia do imunizante que ele chamou de “vacina do Doria” ou a “vacina da China”. Não é a vacina de um político e nem de um país, é a substância que vai servir para diminuir drasticamente as mortes e os casos do coronavírus no mundo. Ponto.