Mulher escolheu serial killer em programa de namoro na TV sem saber, mas recusou encontro por sentir uma intuição ruim

Cheryl Bradshaw escolheu Rodney Alcala entre três pretendentes sem saber que ele já tinha um passado criminal e desistiu do prêmio após conhecê-lo pessoalmente

Aparição nos anos 70 transformou-se em um dos episódios mais perturbadores da televisão quando os crimes do “Assassino do Jogo de Encontro” vieram à tona (Foto: Divulgação / IMDb / Reprodução / YouTube)

Aparição nos anos 70 transformou-se em um dos episódios mais perturbadores da televisão quando os crimes do “Assassino do Jogo de Encontro” vieram à tona (Foto: Divulgação / IMDb / Reprodução / YouTube)

Era 1978 e Cheryl participava do The Dating Game, programa popular que transformava um encontro às cegas em entretenimento. Entre brincadeiras e respostas insinuantes, o “solteiro número um” pareceu funcionar melhor diante das câmeras.

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Dentre os homens escondidos atrás de uma divisória, ela escolheu aquele que lhe pareceu mais charmoso: Rodney Alcala, um suposto fotógrafo bem-sucedido. A plateia aplaudiu e os dois finalmente puderam se ver. Foi naquele momento, porém, que a experiência de Cheryl começou a mudar completamente.

Quando Cheryl o viu

Enquanto estava separado dela pela divisória, Alcala havia respondido às perguntas dentro do tom sensual e de flerte que o programa buscava nos anos 1970. Cheryl gostou o suficiente da conversa para escolhê-lo entre os três homens disponíveis.

O contato pessoal produziu outra impressão. Ellen Metzger, coordenadora de participantes do programa, contou anos depois à ABC News que a animação de Cheryl diminuiu assim que os dois se encontraram. No dia seguinte, a participante telefonou para a produção.

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Naquele momento, Cheryl não tinha como saber o que existia por trás do homem que acabara de escolher. As consequências de sua decisão só ficariam claras anos depois, quando o passado de Alcala começou a aparecer em jornais e investigações.

Quem era o vencedor?

Quando entrou no estúdio do The Dating Game, Rodney Alcala não era apenas um fotógrafo procurando alguns minutos de televisão. Ele já possuía um histórico criminal, como outros serial killers famosos, que teria mudado completamente sua participação caso fosse conhecido pela produção.

Dez anos antes, em 1968, Alcala havia atacado Tali Shapiro, então com 8 anos, em Los Angeles. Um motorista desconfiou ao vê-la entrar no carro dele, acompanhou o veículo e chamou a polícia, permitindo que a criança fosse encontrada viva.

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Alcala fugiu e foi posteriormente localizado. Na década seguinte, voltou a circular em liberdade. Em 1978, não existiam os sistemas nacionais de consulta que hoje permitiriam à produção descobrir rapidamente aquele passado durante uma seleção.

O “fotógrafo”

A fotografia passou a ocupar um lugar recorrente na trajetória de Alcala. Ele abordava mulheres e jovens, oferecendo ensaios, e carregava uma câmera que ajudava a construir uma aparência socialmente aceitável em torno de “um lobo em pele de cordeiro”.

Nos bastidores, nem todos tiveram a mesma impressão. Mike Metzger, produtor executivo, também recordou à ABC News ter considerado a personalidade de Alcala estranha durante a seleção, assim como Jed Mills, outro pretendente daquele episódio.

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Ainda assim, Alcala passou pela produção, sentou-se diante das câmeras e venceu.

Crimes vieram depois

Pouco menos de um ano após a gravação, Alcala foi preso pela morte de Robin Samsoe, de 12 anos, desaparecida em junho de 1979. A investigação levou a um depósito usado por ele, onde policiais encontraram centenas de fotografias e outros objetos.

O caso atravessou décadas de julgamentos, condenações anuladas e novos processos. Exames de DNA acabaram conectando evidências a outros crimes, permitindo que promotores ampliassem o processo muito além do assassinato que provocara sua prisão.

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Em 2010, um júri da Califórnia o considerou culpado por cinco assassinatos em primeiro grau, cometidos entre 1977 e 1979. Alcala recebeu novamente uma sentença de morte. Os registros oficiais também o ligam a investigações em outros estados.

Alcala mais tarde se declarou culpado pelos assassinatos de Cornelia Crilley e Ellen Hover, em Nova York. Em 2013, recebeu uma pena adicional de 25 anos à prisão perpétua, elevando para sete os homicídios pelos quais foi condenado ou admitiu culpa.

Rodney Alcala morreu em 24 de julho de 2021, aos 77 anos, enquanto permanecia no corredor da morte da Califórnia. A causa da morte apontada pelo Departamento de Correções da Califórnia foi natural.