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Mulher escolheu serial killer em programa de namoro na TV sem saber, mas recusou encontro por sentir uma intuição ruim
Cheryl Bradshaw escolheu Rodney Alcala entre três pretendentes sem saber que ele já tinha um passado criminal e desistiu do prêmio após conhecê-lo pessoalmente
Aparição nos anos 70 transformou-se em um dos episódios mais perturbadores da televisão quando os crimes do “Assassino do Jogo de Encontro” vieram à tona (Foto: Divulgação / IMDb / Reprodução / YouTube)
Era 1978 e Cheryl participava do The Dating Game, programa popular que transformava um encontro às cegas em entretenimento. Entre brincadeiras e respostas insinuantes, o “solteiro número um” pareceu funcionar melhor diante das câmeras.
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Dentre os homens escondidos atrás de uma divisória, ela escolheu aquele que lhe pareceu mais charmoso: Rodney Alcala, um suposto fotógrafo bem-sucedido. A plateia aplaudiu e os dois finalmente puderam se ver. Foi naquele momento, porém, que a experiência de Cheryl começou a mudar completamente.
Foi em Los Angeles que a polícia chegou perto de encerrar a trajetória de Rodney Alcala ainda em 1968; Tali Shapiro sobreviveu, mas ele escapou e deixou a Califórnia (Imagem: Diliff / Wikimedia Commons)Três anos depois do ataque contra Tali, o rosto de Alcala já aparecia em material de busca do FBI; enquanto era procurado, ele havia atravessado o país e recomeçado a vida com outro nome (Imagem: FBI / Wikimedia Commons)Procurado na Califórnia, Alcala reapareceu em Nova York sob o nome John Berger em que estudou na Universidade NY e recomeçou sua carreira criminosa (Foto: Johndavissmith / Wikimedia Commons)Entre suas vítimas estava Jill Barcomb, de 18 anos, assassinada em 1977 e posteriormente incluída no processo que consolidaria sua condenação como serial killer (Foto: Oneida High School / Wikimedia Commons)Enquanto investigações que só seriam conectadas décadas depois se acumulavam, Alcala conseguia aparecer diante das câmeras como um solteiro comum e ser escolhido por Cheryl Bradshaw (Foto: Divulgação / YouTube)Depois de anos escapando de uma acusação definitiva, Alcala chegou a 1979; o desaparecimento de Robin Samsoe perto da costa de Orange County seria o início do caminho para sua prisão (Foto: Regular Daddy / Wikimedia Commons)Desta vez, Alcala não desapareceria simplesmente da investigação: um retrato feito em Orange County ajudou a transformar descrições de testemunhas em um rosto que a polícia já conhecia (Imagem: Orange County / Wikimedia Commons)Onze anos depois de escapar da polícia no caso Tali Shapiro, Alcala aparecia novamente diante de uma câmera, agora sob custódia; começava uma batalha judicial que atravessaria três décadas (Foto: Huntington Beach Police Department / Wikimedia Commons)A prisão não encerrou o caso: uma condenação caiu, outra veio em seu lugar e também foi anulada; enquanto Alcala permanecia preso, o processo retornava repetidamente aos tribunais de Orange County (Foto: Orange County Archives / Wikimedia Commons)Quase 20 anos após a prisão, Alcala ainda respondia essencialmente pelo caso Robin Samsoe; os outros nomes que mudariam a dimensão de sua ficha criminal ainda aguardavam uma ligação científica (Foto: San Quentin State Prison / CDCR / Wikimedia Commons)Depois que testemunhos e recursos haviam dominado o caso por décadas, a ciência alterou o tabuleiro: evidências genéticas permtiram comprovar os assassinatos de Jill Barcomb, Georgia Wixted, Charlotte Lamb e Jill Parenteau ao caso (Foto: James Tourtellotte / U.S. Customs and Border Protection / Wikimedia Commons)Em fevereiro de 2010, o terceiro julgamento terminou com Alcala considerado culpado por cinco assassinatos em primeiro grau (Foto: San Quentin State Prison / CDCR / Wikimedia Commons)Em 2012, Alcala foi extraditado para Nova York pelos assassinatos de Cornelia Crilley, em 1971, e Ellen Hover, em 1977. Ele se declarou culpado e recebeu pena de 25 anos à prisão perpétua em 2013 (Foto: Bjoertvedt / Wikimedia Commons)Em 2016, promotores de Wyoming acusaram Alcala pela morte de Christine Ruth Thornton, desaparecida em 1978; ele não chegou a ser julgado por esse caso (Foto: 25or6to4 / Wikimedia Commons)Quase quatro décadas separam esta fotografia daquela feita após sua prisão; nesse intervalo, recursos caíram, o DNA reabriu crimes e sete homicídios terminaram oficialmente ligados a Alcala nos tribunais (Foto: California Department of Corrections and Rehabilitation / Wikimedia Commons)Rodney Alcala morreu por causas naturais em 24 de julho de 2021, aos 77 anos, em um hospital de Kings County (Foto: California Department of Corrections and Rehabilitation / Wikimedia Commons)
Quando Cheryl o viu
Enquanto estava separado dela pela divisória, Alcala havia respondido às perguntas dentro do tom sensual e de flerte que o programa buscava nos anos 1970. Cheryl gostou o suficiente da conversa para escolhê-lo entre os três homens disponíveis.
O contato pessoal produziu outra impressão. Ellen Metzger, coordenadora de participantes do programa, contou anos depois à ABC News que a animação de Cheryl diminuiu assim que os dois se encontraram. No dia seguinte, a participante telefonou para a produção.
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Ela disse que se sentia desconfortável, considerava Alcala estranho e não queria sair com ele. A produção aceitou o cancelamento. Assim, o encontro oferecido como prêmio pelo programa jamais aconteceu (Foto: Divulgação / YouTube)
Naquele momento, Cheryl não tinha como saber o que existia por trás do homem que acabara de escolher. As consequências de sua decisão só ficariam claras anos depois, quando o passado de Alcala começou a aparecer em jornais e investigações.
Quem era o vencedor?
Quando entrou no estúdio do The Dating Game, Rodney Alcala não era apenas um fotógrafo procurando alguns minutos de televisão. Ele já possuía um histórico criminal, como outros serial killers famosos, que teria mudado completamente sua participação caso fosse conhecido pela produção.
Dez anos antes, em 1968, Alcala havia atacado Tali Shapiro, então com 8 anos, em Los Angeles. Um motorista desconfiou ao vê-la entrar no carro dele, acompanhou o veículo e chamou a polícia, permitindo que a criança fosse encontrada viva.
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Atualmente, Shapiro tem 67 anos e criou carreira através da sua história de sobrevivência. Ela já participou de dez obras e documentários sobre crimes reais (Foto: Divulgação / IMDb)
Alcala fugiu e foi posteriormente localizado. Na década seguinte, voltou a circular em liberdade. Em 1978, não existiam os sistemas nacionais de consulta que hoje permitiriam à produção descobrir rapidamente aquele passado durante uma seleção.
O “fotógrafo”
A fotografia passou a ocupar um lugar recorrente na trajetória de Alcala. Ele abordava mulheres e jovens, oferecendo ensaios, e carregava uma câmera que ajudava a construir uma aparência socialmente aceitável em torno de “um lobo em pele de cordeiro”.
Essa imagem também funcionou na televisão. O apresentador Jim Lange o introduziu como um fotógrafo de sucesso (Foto: ABC Television / Wikimedia Commons)
Nos bastidores, nem todos tiveram a mesma impressão. Mike Metzger, produtor executivo, também recordou à ABC News ter considerado a personalidade de Alcala estranha durante a seleção, assim como Jed Mills, outro pretendente daquele episódio.
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Ainda assim, Alcala passou pela produção, sentou-se diante das câmeras e venceu.
Crimes vieram depois
Pouco menos de um ano após a gravação, Alcala foi preso pela morte de Robin Samsoe, de 12 anos, desaparecida em junho de 1979. A investigação levou a um depósito usado por ele, onde policiais encontraram centenas de fotografias e outros objetos.
O caso atravessou décadas de julgamentos, condenações anuladas e novos processos. Exames de DNA acabaram conectando evidências a outros crimes, permitindo que promotores ampliassem o processo muito além do assassinato que provocara sua prisão.
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Em 2010, um júri da Califórnia o considerou culpado por cinco assassinatos em primeiro grau, cometidos entre 1977 e 1979. Alcala recebeu novamente uma sentença de morte. Os registros oficiais também o ligam a investigações em outros estados.
Alcala mais tarde se declarou culpado pelos assassinatos de Cornelia Crilley e Ellen Hover, em Nova York. Em 2013, recebeu uma pena adicional de 25 anos à prisão perpétua, elevando para sete os homicídios pelos quais foi condenado ou admitiu culpa.
Rodney Alcala morreu em 24 de julho de 2021, aos 77 anos, enquanto permanecia no corredor da morte da Califórnia. A causa da morte apontada pelo Departamento de Correções da Califórnia foi natural.