País e democracia estão abalados

Um comandante insano, uma democracia doente e uma população entregue à perversidade de seus políticos é o resumo do Brasil de abril

O presidente Jair Bolsonaro (PL) decretou, nesta quinta-feira (8), luto oficial de três dias pela morte da rainha Elizabeth 2ª

O presidente Jair Bolsonaro | Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Não bastassem os recordes diários de mortes pela Covid-19 no País, toda semana uma nova crise política ou econômica surpreende até o mais descrente de novidades. A bola da vez foi a crise nas Forças Armadas provocada pelo presidente Jair Bolsonaro ao demitir o então ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva.

Continua após a publicidade

Como de costume no governo Bolsonaro, as baixas nos ministérios são sempre provocadas pelos algozes não terem cedido aos seus caprichos, mandos e desmandos. Azevedo recusava a garantir um alinhamento automático e a manifestar apoio das Forças Armadas a posições do presidente que caracterizariam o envolvimento direto dos militares com a política. Ainda mais para auxiliar, em um último pretenso momento, para que medidas de isolamento social dos governadores não fossem cumpridas. Mostrando solidariedade ao ministro e indignados com a ideia estapafúrdia de Bolsonaro, os três comandantes das Forças Armadas brasileiras pediram demissão.

O comando militar, ao contrário de outros, sabe exatamente o papel que deve exercer, o respeito à Constituição e o dever de proteger o Estado e não o governo. Não é de hoje que o presidente confunde o que é institucional e o que é governo. Foi assim na crise que culminou com a saída do ministro Sergio Moro. No vídeo vazado, Bolsonaro indicava que, como presidente, deveria ter acesso aos relatórios de inteligência da Polícia Federal.

As esferas, que são pilares da democracia e que deveriam ser independentes, são atacadas e deslegitimadas massivamente por apoiadores de Bolsonaro. Como resultado dessa grave ameaça à democracia, surgiu mais um pedido de impeachment para ser engavetado na Câmara e também um manifesto assinado por presidenciáveis de 2022. A manifestação pró-democracia é assinada pelo ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM); pelo apresentador de TV Luciano Huck; pelos ex-candidatos presidenciais em 2018 Ciro Gomes (PDT) e João Amoêdo (Novo) e; pelos governadores tucanos João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS).

Continua após a publicidade

Todos pensando nas eleições ou agindo em prol do Brasil? Ainda não sabemos, mas aqueles que estão exercendo plenamente os seus mandatos estão claramente como representantes do próprio interesse. Sim, porque enquanto 300 mil cidadãos morrem, os deputados estão negociando cargos. Enquanto liberam um auxilio emergencial de fome, aumentam o valor dos seus próprios benefícios. Um comandante insano, uma democracia doente e uma população entregue à perversidade de seus políticos é o resumo do Brasil de abril. Pena que não seja dia da mentira.