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MAIS CARESTIA

Governo quer usar soja para abastecer caminhões e isso vai impactar seu bolso

Plano admite até a hipótese de ampliar a quantidade do diesel feito de soja para 14% na mistura com o diesel comum durante o segundo semestre

Nilson Regalado

Publicado em 03/06/2022 às 11:40

Atualizado em 03/06/2022 às 12:58

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Colheita de soja / Fotokostic

A instabilidade causada pelas trocas frequentes no comando da Petrobras tem enviado mensagens erráticas ao mercado. Depois de reduzir o percentual de biodiesel adicionado ao diesel fóssil de 13% para 10% em 2021, agora o Governo Federal estuda elevar novamente essa fração para 12% imediatamente. O plano admite até a hipótese de ampliar a quantidade do diesel feito de soja para 14% na mistura com o diesel comum durante o segundo semestre.

Para acalmar seus aliados caminhoneiros, há seis meses, o governo Bolsonaro mudou a composição do diesel alegando que o biocombustível estava custando o dobro do similar, derivado do petróleo. A medida foi chancelada pelo Conselho Nacional de Política Energética, órgão que assessora o presidente da República.

O problema é que essa decisão obrigou o Brasil a importar mais diesel fóssil justamente em um momento de disparada nos preços internacionais do petróleo.

Dados da Agência Nacional do Petróleo revelam aumento de 24% nas importações do combustível entre janeiro e abril deste ano. No mesmo período, o consumo interno cresceu apenas 2,1%.

Ou seja, agora, o governo tenta consertar a própria barbeiragem admitindo maior injeção de biodiesel 100% brasileiro no diesel derivado do petróleo e importado em dólar.

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais estima que uma mistura de 14% reduziria a importação de diesel mineral em 1,3 milhão de metros cúbicos no segundo semestre.

A soja é a principal matéria-prima do biodiesel brasileiro, com participação de 71% na composição. O restante é sebo bovino.

É aí que surge outro nó: os grandes fazendeiros vão se dispor a reduzir as exportações do grão para suprir a demanda interna por biodiesel?

Ou o consumidor será obrigado a custear o agrado de Bolsonaro aos caminhoneiros com óleo de soja, carnes e ração para animais domésticos ainda mais caros?

Segundo a Ticket Log, plataforma de gerenciamento de frotas, o diesel já subiu 29% desde janeiro. Em 12 meses, a alta foi de 53%.

Que País é este?

No País do agronegócio exportador, a quantidade de brasileiros passando fome é recorde, já supera a média mundial e subiu quatro vezes mais que no restante do mundo desde 2019. Essas conclusões foram apresentadas na quinta-feira pela Fundação Getúlio Vargas com base em dados da pesquisa Gallup World Poll, que avalia 160 países desde 2006.

Que vergonha!

No País dos cantores sertanejos milionários à custa de dinheiro público da Educação e da Saúde, o aumento da insegurança alimentar entre os mais pobres saltou de 53% em 2019 para 75% em 2021. E as mulheres são as maiores vítimas dessa atrocidade...

Filigrana e cinismos

“Insegurança alimentar” é o termo politicamente correto e humanamente frio para definir barriga vazia, fome, miséria, desespero...

Nos vemos no futuro

Bom final de semana...

Filosofia do campo:

“A tontura da fome é pior que a do álcool. A do álcool nos impele a cantar. Mas a da fome nos faz tremer. Percebi que é horrível ter só ar dentro do estômago”, Carolina Maria de Jesus (1914/1977) escritora mineira, em Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada.

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