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FAKE NEWS NO SUPERMERCADO

Pero Vaz, fazendeiros, sitiantes, a ganância, a ditadura dos adubos e o rombo no seu bolso

O consolo é que a iminente falta de adubo deverá impactar menos os pequenos sitiantes da agricultura familiar

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Supermercado / Tânia Rêgo/Agência Brasil

uando Pero Vaz de Caminha redigiu ‘a certidão de nascimento’ da Terra Brasilis, em 1º de maio de 1500, ele eternizou a célebre frase: “dar-se-á nela tudo”. Adaptada aos dias atuais, a sentença de Caminha sugeria que na terra recém-descoberta “em se plantando, tudo daria”. Naqueles dias, a exuberância da Pindorama fascinou os portugueses, afinal a biodiversidade era avassaladora, fazendo crer que a terra aqui era muito fértil.

E era!

Pois bem, 522 anos depois, a célebre frase de Caminha já não é mais tão precisa.

A agricultura intensiva e sem esmero enfraqueceu o solo. O desmatamento deixou a terra exposta ao sol que resseca e à chuva que leva embora sua camada superficial, justamente a mais fértil.

Resultado: o Brasil se transformou no maior importador mundial de fertilizantes!

O problema é que desde o ano passado o mundo enfrenta uma crise no fornecimento de adubo, como antecipou esta coluna no primeiro dia de 2022...

Pior: nos governos Temer e Bolsonaro a Petrobras resolveu privatizar quatro fábricas de fertilizantes que possuía, tornando o Brasil refém de Rússia, China e Canadá.

E vai faltar alimento na mesa dos brasileiros?

É importante deixar claro que a crise na oferta de fertilizantes, agravada pela guerra Rússia/Ucrânia, afetará mais o agronegócio exportador de commodities agrícolas. Ou seja, as grandes fazendas produtoras de bens exportáveis, como soja e milho. E isso, consequentemente, afetará também os preços das carnes, outra commodity agropecuária.

O consolo é que a iminente falta de adubo deverá impactar menos os pequenos sitiantes da agricultura familiar.

E são justamente os agricultores familiares que fornecem até 70% do que chega à mesa dos brasileiros diariamente.

Portanto, frutas, verduras, legumes, feijão e derivados de leite não têm justificativa para uma escalada vertiginosa nos preços!

A não ser pela ganância de atravessadores, especuladores e atacadistas!

Os agricultores familiares têm mais capacidade de se adaptar à carência de fertilizantes porque dispõem de recursos biológicos capazes de suprir as necessidades da terra, especialmente em termos de nitrogênio. Esse mineral forma a trinca de macronutrientes essenciais para a fertilidade do solo, junto com o fósforo e o potássio, integrantes da consagrada fórmula NPK, que se tornou sucesso no campo após a Green Revolution dos anos 1960.

Não há uma pequena propriedade no Brasil que não possua ao menos uma vaca e um galinheiro. E o esterco desses animais misturado a restos de poda pode se transformar em importante fonte de nutrientes para o solo.

Portanto, prezado/a leitor/a, a falta de fertilizantes pode até provocar uma melhoria imprevista da biologia dos solos no Brasil, com ganhos ambientais notáveis.

Porém, para isso, será necessário que engenheiros agrônomos valorizem práticas capazes de tornar o Brasil menos refém do interesse econômico dos gigantes da indústria química mundial...

Filosofia do campo:

“Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas...”, Pero Vaz de Caminha (1450/1500), navegador português.

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