Animal é família, não produto

Convido a todos, como sociedade, a refletirmos melhor a maneira que tratamos o tópico da adoção e trazer um ar de seriedade para a pauta

Recentemente, tenho percebido uma tendência curiosa na internet: a moda do momento são os cachorros salsicha “mofados”. Vários vídeos viralizam pela fofura e carisma desses lindos filhotes.

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Junto dessa tendência, também vemos um maior número de adoções de cachorros dessa e de outras raças viralizadas. Obviamente é ótimo que mais pessoas queiram se tornar tutoras de animaizinhos, mas fico em alerta para avaliarmos se a adoção está sendo feita de maneira consciente.

Muitas pessoas, ao verem um filhote, sentem níveis muito altos de amor e vontade de se aproximarem desses animais e chegam à conclusão de que querem adotar.

Acredito que é importante pararmos um instante, no meio da exaltação e ansiedade, e refletirmos as reais implicações que vêm junto dessa nova companhia.

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A ideia não é desincentivar a adoção, mas sim convidar essas pessoas que têm vontade de adotar a tomarem essa decisão com mais certeza e sentido.

Quando adotamos um filhote, a decisão parece muito motivada pela fofura e energia daquele animal. É bom, entretanto, os adotantes terem em vista que o animal não permanecerá o mesmo para sempre, passando por diferentes fases ao longo da vida.

Até mesmo os meses iniciais são muito demandantes, quando precisamos ensiná-los o lugar certo para fazer suas necessidades, como se comportar na casa e até mesmo não comer móveis ou sapatos.

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O animal, como qualquer outro ser vivo, precisa de uma atenção abundante e de cuidados específicos.

Quem adota precisa ter consciência dos gastos que vêm junto com o novo integrante da família: não apenas financeiros, mas de energia também. Passear, fazer companhia ao animal, adestrá-lo, brincar com ele.

Também existe a questão da adaptação com outros animais que já viviam naquele lar. Tudo isso deve ser pesado para que a adoção não seja um ato de impulsividade, mas sim de consciência e vontade real de ter um novo familiar.

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 Em conclusão, toda adoção é bem vinda! É importante termos isso claro: que bom que mais pessoas vêm sentindo vontade de ter animais e querem adotar, mas é importante não criarmos um ambiente de pouca conscientização.

Quando os indivíduos não refletem sobre todas as implicações de ter um pet, abrimos espaço para devoluções ou negligências ocorrerem. Seria injusto com o animal trazer um vínculo e depois rompê-lo apenas porque o tutor não pensou direito quando estava adotando.

Convido a todos, como sociedade, a refletirmos melhor a maneira que tratamos o tópico da adoção e trazer um ar de seriedade para a pauta.