O perfeito é o inimigo do bom

Este texto é um convite para que mais pessoas se sintam bem-vindas a ajudar do jeito que podem

Não podemos ficar reféns da espera de condições perfeitas para entrarmos em ação. Foto: Banco de imagens

Não podemos ficar reféns da espera de condições perfeitas para entrarmos em ação. Foto: Banco de imagens

Com frequência cometemos o erro de atribuir toda a responsabilidade ao poder público, sem perceber que boa parte dos problemas que vemos na sociedade poderia ser amenizada com uma postura mais coletiva da nossa parte.

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Você provavelmente já me viu falar sobre o que o Estado deveria fazer para promover o bem-estar animal, e garanto que continuarei falando. Mas essa pauta não pode ser compreendida como exclusividade do governo ou das organizações da sociedade civil.

Ela também pertence às pessoas que, individualmente, sentem vontade de ajudar. A realidade é que há muita gente interessada na causa animal que gostaria de fazer algo, mas não consegue adotar um bicho, seja por questões financeiras, de moradia ou de tempo. Um animal exige dedicação real.

Nos iludimos com a ideia de que só podemos agir quando as condições forem perfeitas, mas existe uma outra perspectiva que pode nos mover muito mais: se não é possível adotar, que tal dar um passo atrás e fazer o que está ao alcance?

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A lógica é parecida com a de quem quer virar vegetariano, mas não consegue abrir mão do camarão: então que vire vegetariano com exceção do camarão!

No caso de quem não pode adotar, que tal se disponibilizar para ser um lar temporário, ou aparecer como voluntário em uma feira de adoção?

O momento perfeito pode nunca aparecer, mas podemos dar nosso melhor com o que temos agora. Esse gesto individual pode parecer pequeno, mas representa uma contribuição gigante para a causa.

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As duas formas mais comuns de voluntariado na área animal são justamente essas.

O lar temporário, mesmo que por uma janela curta de tempo, pode transformar completamente a trajetória de um bicho. Além de aliviar a demanda dos abrigos e liberar vaga para outro animal em situação de maus-tratos ou abandono, ele reduz o estresse do cachorro, que passa a conviver com um humano e deixa de estar cercado por dezenas de animais desconhecidos.

Com um cuidado mais individualizado, o animal chega ao adotante em condições muito melhores.

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Há ainda outra modalidade de ajuda, que pode ser acessível até para quem não consegue acolher um animal nem por períodos curtos: o voluntariado em feiras de adoção. Essa forma de contribuição exige quase nada além de tempo e disposição.

Os voluntários são peças essenciais na conversão de interesse em adoção de fato: eles garantem que haja ração, passeiam com os cachorros, supervisionam para que nenhum fuja.

Mas o coração do voluntariado em feiras está em algo mais sutil: conhecer bem cada bichinho e conversar com as famílias que demonstram interesse, numa troca que busca mostrar que aquele animal pode ser exatamente o novo membro que aquela casa estava esperando.

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A ideia central é que, por mais que outros agentes sejam indispensáveis na discussão da causa animal, a mobilização individual faz uma diferença concreta no dia a dia. Voluntários são um recurso escasso e muito necessário todos os fins de semana nas feiras e sempre que chega uma denúncia e precisamos ofertar abrigo com urgência.

Este texto é um convite para que mais pessoas se sintam bem-vindas a ajudar do jeito que podem. Não podemos ficar reféns da espera de condições perfeitas para entrarmos em ação.