O que o apito final revelou sobre nós?

A Copa do Mundo mostrou dois lados da humanidade: a celebração da paz e o domínio do ego; entenda a reflexão que vai além do futebol

A Seleção Brasileira foi eliminada da Copa do Mundo de 2026 pela Noruega e amargou sua pior campanha na história dos Mundiais desde 1990/Will Oliver/EFE/EPA/Folhapress

Brasil foi lembrado como a nação do futebol, mesmo eliminado precocemente. Foto: Will Oliver/EFE/EPA/Folhapress

Em poucas horas, a Copa do Mundo apresentou duas versões da humanidade.

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Artistas de diferentes países dividiram o mesmo palco. Crianças ocuparam o centro do espetáculo.

O Brasil foi lembrado como a nação do futebol, mesmo eliminado precocemente. Vozes diferentes cantaram juntas sobre amor, esperança, pertencimento e futuro. Por alguns minutos, parecia que o mundo se lembrava de quem poderíamos ser.

Não como uma utopia ingênua, mas como uma possibilidade real. Sem ignorar o caos do nosso tempo, artistas escolheram mostrar que ainda somos capazes de construir uma realidade mais justa, mais inclusiva e mais amorosa.

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A paz não é ausência de guerra. Ela é a capacidade de incluir quem foi esquecido quando seria mais fácil competir. A paz é usar o próprio espaço para construir algo maior do que nós mesmos, e acreditar que pessoas diferentes podem dividir o mesmo palco sem precisar disputar quem merece mais luz.

Então a bola rolou. E, algumas horas depois, o mesmo estádio que havia celebrado o amor transformou-se em palco de provocações, entradas violentas, expulsões, empurrões e confusão após o apito final.

O contraste é quase cinematográfico Como se a Copa tivesse colocado diante de nós duas versões da humanidade em poucas horas. A primeira dizia: “Podemos cooperar.” A segunda lembrava: “Ainda não aprendemos a perder.”

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Talvez essa seja uma das maiores contradições do nosso tempo. Gostamos de ouvir discursos sobre paz. Celebramos a inclusão. Nos emocionamos com histórias de superação, mas basta sermos contrariados para que o ego assuma o comando.

E o ego, quando governa, transforma pessoas em adversários, diferenças em ameaças e frustrações em violência. É nesse instante que deixamos de enxergar o outro como alguém digno de respeito e passamos a vê-lo como alguém que precisa ser vencido, silenciado ou humilhado.

Não acontece apenas no futebol. Acontece nas empresas, na política, nas famílias, nas redes sociais. Ali, um jogador pode ser herói às seis da tarde e vilão duas horas depois.

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A mesma multidão que idolatra é capaz de destruir. Não porque os fatos mudaram tanto, mas porque ainda confundimos desempenho com valor humano. Seguimos perdidos entre aquilo que somos e aquilo que ainda podemos nos tornar.

A paz não é testada quando tudo acontece como esperamos. Ela é testada quando perdemos. Quando somos frustrados. Quando alguém sobe ao palco para receber a medalha que acreditávamos ser nossa.

A cerimônia de abertura mostrou ao mundo o que somos capazes de construir quando o amor conduz o espetáculo. O apito final revelou o quanto ainda precisamos aprender quando é o ego que assume o comando.

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Talvez a paz nunca tenha dependido dos discursos que fazemos. Enquanto o amor continuar restrito aos palcos e o ego dominar os campos da vida, nós continuaremos celebrando a paz sem jamais aprendermos a praticá-la.

A Copa chegou ao fim. A cerimônia terminou. O espetáculo acabou. Mas o apito final deixou uma pergunta que ainda ecoa: Qual humanidade escolhemos levar para fora do estádio?