A história e as lendas por trás da centenária Festa de Nossa Senhora Achiropita

Conheça a história da Festa de Nossa Senhora Achiropita, tradição centenária do Bixiga que reúne fé, cultura italiana e mistérios

Seguindo a tradução literal, a celebração que começa neste fim de semana no bairro do Bixiga homenageia justamente essa história: a de Nossa Senhora que, segundo a tradição, teria surgido sem a intervenção de mãos humanas. Foto: Reprodução/Google Street View

Por trás de uma das mais tradicionais celebrações da Capital paulista, que em seu formato oficial completa 100 anos em 2026, existe uma série de histórias e curiosidades.

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Talvez a primeira delas esteja relacionada ao próprio local onde a festa acontece: o bairro do Bixiga, uma das regiões mais conhecidas de São Paulo pela forte presença das comunidades italiana e negra.

E a origem do nome do bairro guarda uma história curiosa. O apelido teria relação com Antônio José Leite Braga, proprietário de uma antiga chácara na região, conhecido como Antônio Bixiga.

Segundo relatos históricos, Antônio teria sido acometido por varíola, doença que provoca marcas e bolhas na pele, popularmente associadas ao termo “bexiga”. Na época, pessoas infectadas eram chamadas de “bexiguentas”, e o apelido acabou sendo incorporado ao nome do território.

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Mas a história mais fascinante está ligada à devoção a Maria Santíssima Achiropita, uma tradição religiosa que se tornou muito mais conhecida em São Paulo do que em diversas cidades italianas.

A origem da devoção remonta ao ano de 580, quando um capitão náutico chamado Maurizio enfrentava uma forte tempestade em alto-mar que ameaçava sua vida e a de sua tripulação. Segundo a tradição, ele pediu ajuda à Virgem Maria e prometeu que, caso sobrevivesse, construiria uma capela em homenagem à mãe de Jesus no local onde conseguisse chegar.

O capitão chegou com vida ao povoado de Rossano, na região da Calábria, na Itália, e cumpriu sua promessa, erguendo uma capela dedicada à Virgem Maria.

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Restava, porém, um detalhe: era preciso colocar uma imagem da santa no interior do templo. Para isso, Maurizio contratou um renomado pintor da região.

É aí que começa o mistério.

O artista concluiu a pintura da imagem de Maria diversas vezes. Porém, para sua surpresa, na manhã seguinte a figura desaparecia da parede. A repetição do fenômeno levantou a suspeita de que alguém estaria impedindo a conclusão do trabalho.

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Depois de mais uma tentativa, vigilantes foram colocados na entrada da capela para proteger a pintura durante a noite.

Na primeira noite, um dos responsáveis pela vigilância foi procurado por uma mulher com uma criança nos braços. Ela pediu autorização para entrar no templo e fazer uma oração.

Mesmo desconfiado, o vigilante permitiu a entrada, acreditando que a mulher e o bebê não representavam ameaça ao trabalho realizado pelo pintor.

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Após algum tempo, decidiu entrar na capela para procurá-los. Para sua surpresa, não havia ninguém no local. A igreja possuía apenas uma entrada e saída, tornando o desaparecimento ainda mais misterioso.

Mas a surpresa maior estava na parede.

No lugar da pintura que havia desaparecido tantas vezes, surgiu a imagem da mulher e da criança que haviam entrado momentos antes no templo.

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É justamente dessa tradição que vem o significado do nome Achiropita. De origem grega, a expressão significa:

“Não pintada por mãos humanas.”

Seguindo a tradução literal, a celebração que começa neste fim de semana no bairro do Bixiga homenageia justamente essa história: a de Nossa Senhora que, segundo a tradição, teria surgido sem a intervenção de mãos humanas.