Mães denunciam partos forçados e mortes de bebês em maternidade

Em nota, a Secretaria da Saúde diz que unidade atuou ‘conforme protocolos clínicos’. Casos seguem em investigação Da Reportagem De São Paulo

Nessa semana mais uma mãe registrou um boletim de ocorrência, dizendo ter sido vítima de violência obstétrica que teria provocado a morte do seu bebê durante o parto na Maternidade Estadual de Caieiras, na Grande São Paulo. Segundo ela, a equipe médica teria “forçado” o nascimento por parto normal, usando inclusive um instrumento chamado fórceps. Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde diz que a unidade prestou o “atendimento conforme os protocolos clínicos”. A polícia investiga o caso.

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Há cerca de um mês, a dona de casa V.S.A., de 35 anos, disse ter buscado o hospital para dar à luz após uma gestação tranquila e planejada. No entanto, ela relatou ter sido “pressionada”, “judiada” e “ameaçada”, sendo chamada de “preguiçosa” por supostamente não fazer força suficiente para que o bebê nascesse por parto natural, mesmo o raio-x apontando que o bebê estava sentado.

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Segundo ela, a criança nasceu sem vida e com muitos hematomas após uma madrugada de contrações.

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A maternidade negou erro no procedimento e disse que foi detectada mudança de posição do feto e frequência cardíaca. Em razão disso, a equipe optou por fazer uma cesárea. Durante o procedimento foi constatada ruptura longitudinal do útero, que causou a morte do bebê.

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Outro caso

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Na última terça-feira, a empresária L. de F.S., de 38 anos disse em entrevista ao “G1” que enfrentou experiência similar no ano passado. Ela disse também ter tido uma gestação tranquila e buscado a maternidade de Caieiras para dar à luz na madrugada do dia 19 de dezembro.

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Ela disse não entender por que não recorriam à cesárea e que sinalizava estar sofrendo durante o procedimento. Segundo ela, quando o médico disse que não era possível tirar a criança com o fórceps, a médica teria indicado a anestesia geral, cuja aplicação foi recusada pela anestesista, que argumentou o risco de morte que a mãe e o bebê correriam.

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A cirurgia ocorreu e a mãe disse ter visto o bebê doze horas depois. “Quando cheguei, o vi em uma espécie de incubadora, mas aberta, ele estava roxinho e o aparelho apontava batimentos cardíacos bem fracos. Pouco depois, ele morreu”, disse a empresária. “Ele estava com muitos hematomas no rosto”, completou.

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A Maternidade Estadual de Caieiras diz que L. de F.S., assim como no caso de V.S.A., foi “atendida conforme os protocolos clínicos”.

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A Secretaria da Segurança Pública (SSP) disse que acompanha a investigação do caso.