Sensível demais

Sensibilidade dental atinge 32% dos brasileiros; ingerir alimentos frios, quentes, doces e até ar frio pode causar dores Por Vanessa Zampronho De São Paulo

É uma dor que parece chegar ao cérebro e atingir toda a cabeça: ao ingerir sorvete, café, frutas cítricas ou um doce, por exemplo, um em cada três brasileiros padece de sensibilidade dental. Até ar frio, dependendo da temperatura do ambiente, pode desencadear a dor. É o que mostrou uma pesquisa de 2018, feita pela Kantar TNS a pedido de uma marca de pasta de dente. O estudo também indicou que esse é o principal problema de saúde bucal no Brasil.

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Consultar um dentista é fundamental para evitar que a sensibilidade aumente, além de impedir que o quadro se agrave. Uma das causas dessa sensibilidade é a retração da gengiva, que expõe o cimento dos dentes. “Como não é protegido pelo esmalte, ao ficar exposto, causa a sensibilidade”, diz o dentista Artur Cerri, membro da APCD (Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas).

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Outra causa da sensibilidade dental é o desgaste do esmalte, a camada que reveste externamente o dente. Ele é muito duro e resistente, mas pode sofrer traumas no correr da vida e ele perde sua dureza. Uma das causas do desgaste é o bruxismo (ranger dos dentes durante o sono). Abaixo do esmalte há a dentina, e em seguida, a polpa, que é o sistema vásculo-nervoso. “Quanto maior o desgaste do esmalte, e a proximidade com esse sistema, maior a sensibilidade”, diz Cerri.

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A retração gengival acontece ao longo do tempo – e os sintomas vão se agravando. “Na primeira fase, a gengiva inflama, fica lácida e perde a aderência ao esmalte. É quando começa a sensibilidade. Na segunda fase, a gengiva começa a retrair e expõe o cimento. Ela continua retraindo até chegar uma hora que não volta mais”, explica. A principal causa da inlamação gengival é a falta de higienização bucal. “Sempre depois que comer, é muito importante escovar os dentes, usar fio ou fita dental, que ajuda a evitar o problema”, disse.

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O tratamento recomendado depende da gravidade. “Se for falta de higiene, pode ser feita uma raspagem ou a proilaxia [limpeza]. A gengiva volta a aderir ao esmalte. Quando a sensibilidade estiver mais forte, pode-se aplicar flúor, que protege o cimento. Ele age como se fosse um impermeabilizante. Mas é temporário, porque depois de um tempo ele deixa de agir. Não se pode aplicar flúor continuamente porque ele é tóxico para o organismo. Por isso, deve se tratar a causa. E, em casos mais graves, há a opção de se fazer enxerto. Retira-se gengiva de uma área normal e se coloca na área descoberta”, conta.

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Cuidar da gengiva não é somente para evitar que ela se inlame e cause a sensibilidade nos dentes. Ao se retrair, e expor áreas mais sensíveis do dente, outros problemas podem aparecer, como a cárie na região do cimento. “Como ele não tem a mesma dureza que o esmalte, a cárie dói bem mais do que o normal”, diz Cerri. E, em casos extremos, na falta de tratamento adequado, o paciente corre o risco de até perder os dentes.

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Por isso a importância de se fazer uma correta higienização bucal. Mas não é o caso de comprar pastas dentais específicas contra sensibilidade sem orientação especializada. “O dentista avalia caso a caso, e ele vai dizer que a pasta funciona ou não. Não se deve praticar a automedicação”, conclui.

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Quando problemas bucais atrapalham a prática de esportes

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O jogador colombiano Berrío, ponta-direita do Flamengo, passou por um tratamento odontológico especial. Gustavo Ferreira, dentista do clube carioca, preparou uma placa para reposicionar a mandíbula do jogador. Segundo Ferreira, a má posição dos dentes pode interferir na respiração do atleta e também na postura. O jogador usou a placa tanto durante os treinos no campo quanto na academia, e os resultados foram satisfatórios.

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Outros problemas bucais

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A retração gengival não é o único problema que acomete a boca. Veja abaixo outros danos que atingem essa parte do corpo. Ao perceber qualquer sinal estranho, visite um dentista.

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1. Cárie
Geralmente aparece em forma de uma mancha escurecida, causada pela desintegração do esmalte, a camada mais dura do dente. É causada pela má escovação dos dentes, ingestão de doces ou por doenças que diminuem a quantidade de saliva na boca.

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2. Lesões bucais e aftas
Feridas, inchaços e manchas que aparecem na boca, língua ou lábios, causadas por herpes labial, candidíase (o popular “sapinho”) e próteses mal colocadas.

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3. Mau hálito
As causas são muito variadas, entre elas a falta de escovação dos dentes, inflamação na gengiva, ingestão de alguns alimentos como alho ou cebola, fumar cigarro, consumir bebidas alcoólicas, alguns problemas de fígado, rins, menor produção de saliva, e até câncer.

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4. Placa bacteriana
Bactérias que se multiplicam na boca e se alojam nos dentes, principalmente na parte de trás ou na região da gengiva. Pode causar gengivite (inflamação da gengiva) ou tártaro, quando a placa fica endurecida.

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Retração gengival

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O esmalte protege a parte externa do dente, e ele é duro o suficiente para aguentar os movimentos de mastigação de todos os dias. Já a parte interna, composta pelo cimento, dentina e polpa, é protegida pela gengiva. A retração gengival acontece quando há uma inflamação nesta região, fazendo a gengiva perder a aderência ao dente. Se não for tratada, essa parte não volta a cobrir mais o dente, começa a se retrair e deixa o cimento exposto, causando a sensibilidade.

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*Com informações do Ministério da Saúde