Logan se reinventa

Versão 1.6 Iconic CVT X-Tronic do Logan tenta superar a indiferença da marca pelo produto Da Reportagem De São Paulo

O Logan nunca foi tratado como um produto de primeira linha pela Renault do Brasil. Quando foi lançado por aqui, em 2007, seu estilo um tanto antiquado se tornou alvo de comentários pouco elogiosos. Por isso, a marca optou por tentar focar em outras qualidades, como robustez, espaço interno e amplo porta-malas, jamais dando qualquer destaque à estética.

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Esteticamente, é difícil notar a diferença estre o novo Logan e o anterior. A dianteira ganhou um novo para-choque, de aspecto mais encorpado, enquanto a grade ficou maior e composta por filetes horizontais mais elegantes. Os faróis mantêm praticamente os mesmos contornos dos antigos, com redesenho concentrado em seus elementos internos, incorporando luzes diurnas em forma de “C”, seguindo a nova identidade estilística da marca. A traseira permaneceu inalterada, com lanternas idênticas às do modelo antigo.

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Existe também um aspecto inusitado no visual do novo Logan, mais especificamente das versões equipadas com motor 1.6 e transmissão automática CVT, que é a suspensão elevada em 4,5 centímetros, necessária para incorporar a nova caixa de transmissão, acabando por dar um aspecto “aventureiro” ao modelo. O efeito visual é incomum em um sedã, ainda que o asfalto das vias pública brasileiras normalmente exija qualidades off-road de qualquer veículo que trafegue por elas. Juntamente com a elevação das suspensões vieram as molduras plásticas nas caixas de rodas e soleira das portas, além da adoção de rodas de 16 polegadas, itens agregados para disfarçar um pouco o aumento do vão das rodas e dar mais equilíbrio ao visual.

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O mix de versões do Logan adota o novo padrão de nomenclatura da marca, já utilizadas pelo Captur e pelo Kwid, identificadas como Life, Zen, Intense e Iconic. E a topo de linha Iconic 1.6 CVT X-Tronic, por R$ 71.090, tem a tarefa de dar ao Logan um “status” de requinte e modernidade que a própria Renault jamais conseguiu conferir ao injustiçado sedã.

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Assim como o desenho externo do Logan foi timidamente atualizado, o interior também não recebeu mudanças profundas. Os bancos receberam nova padronização de revestimentos e ficaram um pouco mais envolventes e confortáveis. De novo, mesmo, apenas o volante, semelhante ao utilizado pelo Clio europeu. A cabine é acolhedora e a forração preta no teto deixou o habitáculo mais elegante. Os plásticos estão por todos os lados, mas têm textura agradável e de boa qualidade. A chave do tipo canivete, outro item de série na linha, reforça o esforço de parecer mais sofisticado.

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O bom espaço interno permite viagens com folga para quatro adultos, acomodando até mesmo cinco ocupantes com relativo conforto. Na versão Iconic, a lista de itens de série é bem recheada. O sistema multimídia Media Evolution incorpora tecnologia Android Auto e Apple CarPlay, que permite usar Spotify, Waze, Google Maps (Android Auto) e áudios de WhatsApp. A tela “touchscreen” de 7 polegadas agora é do tipo capacitiva, com melhor precisão do toque. O Media Evolution traz ainda as funções Bluetooth, câmera de ré (em algumas versões) e outras funções que ajudam o motorista a economizar combustível. Outros itens disponíveis são o comando satélite no volante, sensor de estacionamento, ajustes de altura do banco e do volante, computador de bordo, alarme e vidros elétricos com “one touch”. O controle eletrônico de estabilidade (ESC) e o assistente de partida em rampas (HSA) também estão disponíveis de série, assim como o ar-condicionado automático, a câmera de ré, os faróis de neblina, os vidros traseiros elétricos, os retrovisores elétricos e o piloto automático (controlador e limitador de velocidade).

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Limites da ousadia

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O Renault Logan 2020 avançou na segurança e no conforto, mas permanece usando tecnologias anacrônicas como o tanquinho de gasolina para a partida a frio e o sistema eletro-hidráulico de assistência à direção. Um moderno sistema de partida que dispense o reservatório adicional de combustível, assim como uma precisa e leve direção com assistência elétrica, equiparariam o Logan à concorrência.

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Em que pese tais “economias de ousadia”, o Logan 2020 mantém os atributos que fazem dele um carro honesto e bom de dirigir. Para os tradicionais clientes do modelo, será necessário se adaptar a sua maior altura em relação ao solo. Especialmente no trânsito urbano, a sensação de olhar os outros carros “de cima para baixo” é notável. A altura é quase a mesma de um Duster, o que transmite ao motorista certa sensação de força e segurança. Um ponto positivo é que a estabilidade e o comportamento dinâmico não se alteraram com a elevação da suspensão. O carro continua contornando bem as curvas, manobrando fácil e rodando macio. Para reforçar a segurança, as versões Zen, Intense e Iconic 1.6 CVT X-Tronic incorporam controle de estabilidade (ESP), dispositivo que ajuda a manter o carro na trajetória mesmo em manobras bruscas.

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A transmissão automática CVT chegou em boa hora. Ela não utiliza as clássicas engrenagens e sim um sistema de polias e correias, permite ao motor trabalhar em rotações mais baixas, proporcionando consumo menor e maior conforto acústico. Uma característica negativa do CVT é o comportamento meio letárgico em baixas rotações. Mesmo fazendo mudanças manualmente, o ganho não é tão substancial. Não é nada decepcionante, especialmente considerando a proposta familiar do carro. Mas para extrair uma performance mais consistente do bom motor 1.6 16V, que entrega 118 cavalos de potência e torque de 16 kgfm (etanol), o câmbio manual presta melhor papel. Mesmo com pequenos deslizes, o Renault Logan 2020 é um carro honesto, bem equipado e seguro. Tem bom espaço, desempenho compatível e atende bem às pequenas famílias. Se a traseira tivesse evoluído, poderia até ter ficado um belo sedã.

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*Por Marcelo Queiroz, da Agência AutoMotrix