Com mandado de prisão da Lava Jato, Cartes pede para ser investigado no Paraguai

O ex-presidente paraguaio é suspeito de ter auxiliado com US$ 500 mil o doleiro Dario Messer enquanto ele estava foragido da Justiça brasileira Por Folhapress De São Paulo

O ex-presidente do Paraguai Horacio Cartes, alvo de um mandado de prisão expedido pela Lava Jato do Rio de Janeiro, disse nesta segunda-feira (25), por meio de ofício, estar à disposição para ser investigado e julgado no próprio país que comandou.

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No documento apresentado à Fiscalía General (Procuradoria-Geral) do Paraguai, apresentado por meio do advogado Pedro Ovelar, Cartes diz que se apresenta ao órgão “a fim de que, se entendem que corresponde por virtude do princípio da territorialidade, investiguem e julguem os feitos e condutas atribuídos à minha pessoa”.

Ele acrescenta que as condutas apontadas pelas autoridades brasileiras são “situadas espacialmente” no Paraguai.

“Entendemos que é uma questão de soberania, independência e competência exclusiva do Ministério Público do Paraguai”, disse Ovelar a jornalistas, após entregar o ofício.

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Cartes é suspeito de ter auxiliado com US$ 500 mil (R$ 2,07 milhões) o doleiro Dario Messer enquanto ele estava foragido da Justiça brasileira, entre maio de 2018 e julho deste ano, quando foi preso.

Messer ficou, segundo as investigações, até outubro de 2018 no Paraguai, país governado por Cartes até agosto do ano passado.

O ex-presidente, que é senador, foi incluído no alerta vermelho da Interpol. Sua defesa tem dito que Cartes não pode ser preso no Paraguai por ter imunidade.

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No ofício assinado por Cartes, ele envia cópia dos documentos da investigação brasileira aos procuradores paraguaios. Segundo ele, esses documentos apontam que as supostas ações aconteceram apenas no Paraguai.

O Ministério Público Federal do Rio afirma que Messer enviou uma carta ao ex-presidente Horacio Cartes – a quem chamava de “patrão” – solicitando US$ 500 mil para gastos jurídicos. Nesta carta, Dario escreveu a Cartes que precisaria de “seu apoio de sempre”.

O intermediário desta entrega, segundo o Ministério Público, foi o empresário brasileiro Roque Fabiano Silveira, que vive no Paraguai e foi condenado pela Justiça por contrabando.

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Também alvo na operação, ele abrigou Messer em sua fazenda num dos períodos em que esteve foragido no Paraguai, segundo a Polícia Federal.

Cartes é amigo de longa data de Messer, a quem chamava de “irmão de alma”. O ex-presidente manteve relações próximas com o pai do doleiro, Mordko Messer, que o ajudou na década de 1990, quando esteve na mira da Justiça por evasão de divisas.

O nome da fase da Lava Jato que expediu mandado contra Cartes, do último dia 19, se chamou Operação Patrón.

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Segundo a Polícia Federal, a investigação identificou cerca de US$ 20 milhões ocultados, no total, sendo US$ 17 milhões num banco nas Bahamas e o restante no Paraguai.