Na tarde desta quarta-feira (16) o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou que a volta às aulas presenciais nas escolas de todo o Estado ocorrerá em agosto. Apesar da projeção, algumas prefeituras da Grande São Paulo já haviam retomada o ensino presencial na rede municipal de ensino – de forma escalonada e com uma ocupação de até 35% nas salas. Esse limite deve ser ampliado a partir de agosto, após as férias de meio de ano.
No ABC Paulista, por exemplo, três cidades já iniciaram o processo de retomada dos alunos. A primeira cidade foi São Bernardo do Campo, que retomou o ensino de forma gradual no dia 18 de maio. No dia 24 do mesmo mês, os alunos do ensino fundamental e da Educação de Jovens e Adultos retomaram às aulas em Santo André.
Em São Caetano do Sul, a prefeitura retomou no dia 7 de junho as aulas para os alunos da educação infantil (4 e 5 anos de idade). Dependendo da situação da pandemia e das orientações da Secretaria de Saúde, a previsão é a de que, a partir de 21 de junho, retornem às aulas presenciais os 1º, 2º e 3º anos do Ensino Fundamental e, a partir de 5 de julho, os 4º e 5º anos.
Já na região sudoeste da Grande São Paulo, Taboão da Serra, Embu das Artes e Itapecerica da Serra ainda não apresentaram uma previsão de retorno. Osasco e Guarulhos também divulgaram que ainda não tem uma data para o retorno das aulas.
TESTES
Ainda durante a coletiva de imprensa desta quarta-feira, o governo do Estado divulgou que três milhões de testes serão comprados para ampliar a testagem. A aplicação dos testes ocorrerá em parceria com as Secretarias Municipais de Saúde.
Rossieli disse que mesmo com a vacinação as escolas serão monitoradas neste ano e no próximo. Serão realizados testes de casos sintomáticos, dos envolvidos na ocorrência de dois ou mais casos com vínculo epidemiológico e o monitoramento sentinela (mensal ou bimestral para verificar a prevalência do vírus).
O secretário estadual de educação, Rossieli Soares, explicou como deverá funcionar o plano de retomada. “A educação básica presencial é essencial. Cada vez que falamos de voltar, sentimos a necessidade de ir atrás de cada estudante”, disse. “Um dos grandes desafios será recuperar a aprendizagem em matemática perdida durante a pandemia”.
DEFASAGEM
A pandemia do novo coronavírus causou uma defasagem de, pelo menos, 11 anos nos alunos matriculados na rede pública de ensino do estado de São Paulo. Os dados foram divulgados em abril deste ano, pelo jornalista Marco Antônio Sabino, em sua coluna “Insights”, na Rádio Bandeirantes.
Dados da Unicef mostram que no Brasil, mais de 5,5 milhões de crianças e jovens ou não estão matriculados ou fazendo atividades escolares regularmente durante a pandemia.
Segundo o Inep, 36,5 mil escolas no país não têm acesso à internet e 1,4 milhão de estudantes estão em escolas sem esgotos ou banheiros.
A falta de acesso é consequência na alfabetização dessas crianças.
Mais da metade das crianças na faixa dos 8 anos não aprendeu o básico em matemática e português – um em cada três alunos não consegue ler um texto simples.
