Apoiadores de Leite acusam PSDB-SP de fraude nas prévias

Dossiê aponta que alguns prefeitos e vices se filiaram após a data limite para poderem votar

Eduardo Leite

Eduardo Leite | Reprodução/ Tv Globo

Um grupo de presidentes estaduais do PSDB acusa, em um dossiê, o diretório paulista do partido de uma suposta tentativa de fraude no sistema para a votação nas prévias para a eleição da presidência da República. De acordo com eles, 92 prefeitos e vice-prefeitos de São Paulo iriam votar irregularmente no pleito interno.

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O PSDB-SP nega, chama o documento de “estratégia eleitoral” e diz que seus autores “querem vencer no grito”.

O dossiê, ao qual o UOL teve acesso, afirma que os prefeitos e vice-prefeitos se filiaram ao partido depois da data limite para que pudessem votar nas prévias (31 de maio). Os registros na Justiça Eleitoral teriam sido feitos de forma retroativa.

O documento é divulgado a exato um mês das prévias, em 21 de novembro, no momento de maior acirramento da disputa entre os pré-candidatos Eduardo Leite (RS) e João Doria (SP).

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Da forma como as prévias foram estruturadas para este ano, o grupo de prefeitos e vice-prefeitos compõe 25% do total, mesma proporção para todos os outros mais de 1 milhão de filiados -o que faz com que o voto de cada um conte mais do que o de um filiado sem mandato. Por isso, a briga por tucanos eleitos se mostra tão relevante.

ACUSAÇÃO

De acordo com o documento, a fraude se daria por uma diferença de datas entre o registro no sistema interno do PSDB (Filiaweb) e no sistema da Justiça Eleitoral (Filia).

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“Tal sistema [Filia] permite a inclusão de data retroativa ao momento da inclusão no cadastro. Assim, alguém pode ser cadastrado no sistema na presente data, e o administrador tem liberdade de incluir outra data como aquela da efetiva filiação”, diz o texto.

O dossiê levantou 51 prefeitos e 41 vice-prefeitos registrados no diretório paulista que teriam inconsistência nessas datas. Como base, eles dizem usar os dois sistemas e matérias sobre filiação publicadas na imprensa.

Uma carta que acompanha esses documentos é endereçada ao presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, e assinada por quatro presidentes de diretórios estaduais: os deputados federais Adolfo Viana (BA), Lucas Redecker (RS) e Paulo Abi-Ackel (MG) e o ex-senador Luiz Pontes (CE) -todos apoiadores de Leite.

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Como resolução, o grupo pede averiguação por parte do diretório nacional, a “imediata exclusão” destes nomes da lista de votantes e investigação de possíveis outros registrados no sistema da Justiça Eleitoral depois de 31 de maio.

O PSDB-SP é comandado por Marco Vinholi, próximo a Doria -ele ocupa atualmente a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Regional.

OUTRO LADO

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O documento não cita os nomes de Leite e Doria em momento algum. Acusa o diretório paulista de “insistir em burlar a norma, o que restou caracterizada com fraude efetuada no cadastramento dos novos filiados com datas retroativas”.

Ao UOL, o PSDB-SP afirmou que as alegações “nada mais são que parte da estratégia eleitoral daqueles que, cientes do peso de prefeitos e vice-prefeitos na disputa, querem vencer no grito”.

Segundo o diretório, o PSDB paulista recebeu dezenas de filiações de prefeitos e vice-prefeitos em 2021 e “parte expressiva delas dentro do prazo definido pela Comissão das Prévias”. “Outras muitas não foram feitas dentro deste prazo, não tendo sido sequer encaminhadas à Direção Nacional”, diz a nota.

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Por meio de nota, Araújo declara que a solicitação “será analisada com absoluta serenidade e já foi encaminhada para a Executiva Estadual de São Paulo para esclarecimentos” e diz considerar pedidos de impugnação “naturais em qualquer processo eleitoral”.

“Com relação a eventuais questionamentos também feitos ao procedimento da Executiva Nacional sobre a lista final dos filiados com mandatos aptos a votar nas prévias, informamos que os dados utilizados são os recebidos oficialmente do TSE”, explica.

COMO SÃO AS PRÉVIAS

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As prévias serão realizadas no dia 21 de novembro, com voto pelo aplicativo ou presencialmente, em Brasília, onde deverão estar os três candidatos e as principais lideranças do partido. Para este ano, o PSDB adotou pesos diferentes para os votos de acordo com o cargo ocupado, dividido em quatro grupos:

25% para votos de governadores, vice-governadores, presidente e ex-presidentes do partido, deputados federais e senadores

25% para prefeitos e vice-prefeitos

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25% para vereadores (12,5%) e deputados estaduais e distritais (12,5%)

25% para filiados no geral, sem mandato