Ataques com ácidos a mulheres: veja casos que repercutiram em São Paulo

O caso de Isabelly, que chocou o Paraná na última semana, infelizmente já teve precedentes no estado

Isabelly foi a mais recente vítima que aconteceu na última semana no estado do Paraná

Isabelly foi a mais recente vítima que aconteceu na última semana no estado do Paraná | Reprodução/Arquivo Pessoal

Isabelly Aparecida Ferreira Moro, uma jovem de 23 anos, tornou-se a mais recente vítima de um ataque com substâncias químicas, uma forma de violência que vem crescendo em incidência, e que tem como principais vítimas as mulheres. O incidente ocorrido na última quarta-feira em Jacarezinho não é um caso isolado. No estado de São Paulo, alguns casos parecidos tiveram repercussão na mídia. 

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Motivação do crime

Em resposta ao ataque, as autoridades detiveram uma mulher suspeita de cometer o crime, que confessou ter utilizado soda cáustica, motivada por ciúmes. Isabelly, a vítima, é ex-namorada do atual parceiro da agressora.

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Violência química em números

Segundo a Acid Survivors Trust International (ASTI), uma organização global com sede no Reino Unido, estima-se que ocorram 10.000 ataques com substâncias químicas corrosivas por ano em todo o mundo, um número que provavelmente está subnotificado.

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A violência química é considerada uma forma de violência baseada em gênero que afeta desproporcionalmente as mulheres, sendo proibida pelo direito internacional. A maioria desses ataques ocorre em contextos de violência doméstica, mas existem também em outros contextos como foi no caso de Isabelly.  

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Em geral, são formas premeditadas de violência que visam desfigurar a face das vítimas e causar sofrimento físico e emocional a longo prazo. Esse tipo de violência não é novo e também acontece em São Paulo. Os ataques, que envolvem muitas vezes ácidos e outras substâncias corrosivas, deixam um rastro de dor e desfiguração, levantando questões sobre as medidas de proteção disponíveis para as mulheres.

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Ataques em São Paulo nos últimos 5 anos

De Campo Limpo Paulista a São Mateus, os relatos são sombrios. Veja alguns casos parecidos que ocorreram no estado e tiveram grande repercussão na mídia:

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Em 2019, uma mulher foi agredida pelo ex-marido com uma mistura letal que incluía ácido e soda cáustica. O homem, de 30 anos, jogou o líquido no rosto da vítima, em Campo Limpo Paulista, no interior de São Paulo. Ele também teria tentado forçar a vítima a beber o líquido.

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No mesmo ano, outra mulher em Pindamonhangaba foi vítima de um ataque não identificado com uma bexiga cheia de ácido. A vítima sofreu queimaduras de 2° e 3° graus no rosto, tronco e membros inferiores. O autor do crime não foi identificado.

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Em 2021, a faxineira Francieli Priscila Correa Froelich, de 31 anos, foi atacada por seu ex-patrão, de 70 anos, por um líquido ácido. O crime aconteceu em Catanduva, no interior de São Paulo. Segundo o boletim de ocorrência registrado pelo marido da vítima, a mulher trabalhava na casa do suspeito havia mais de três anos.

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Homem ataca ex-funcionáriaFrancieli Priscila Correa Froelich, de 31 anos, foi atacada por seu ex-patrão/Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Em 2022, uma mulher de 29 anos foi atingida por ácido no bairro de São Mateus, na zona leste da capital paulista. O ex-marido da vítima foi identificado como o autor do crime pela Polícia Civil, após análise de câmeras de segurança.

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Câmera de segurança flagrou o autor fugindo após o ataqueEx-marido da vítima foi identificado como o autor do crime pela Polícia CivilReprodução/Câmera de Segurança 

O que diz a lei

Um grande problema é a impunidade dos agressores devido à falta de leis que criminalizem o uso de ácido como arma. No Brasil, os ataques com substâncias corrosivas, como ácido e soda cáustica, são tratados principalmente sob as leis de crimes contra a saúde e integridade física das pessoas.

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A legislação penal brasileira prevê punições específicas para lesões corporais, que podem ser agravadas dependendo da severidade dos danos e das motivações por trás do ataque. Por exemplo, lesões resultantes em sequelas permanentes ou desfiguração podem resultar em penas maiores.

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Apesar disso, não há uma legislação específica que trate exclusivamente dos ataques com substâncias corrosivas diferenciadamente ou mais severa comparada a outros tipos de agressões. Isso tem levantado discussões sobre a necessidade de leis mais específicas e severas para esses tipos de crimes, dada a natureza particularmente cruel e os efeitos duradouros que tais ataques têm sobre as vítimas.

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Dados sobre feminicídio

Esse tipo de problema vai além dos ataques isolados. É possível considerar os ataques químicos como formas de feminicídio porque as lesões podem ser letais. 

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O estado de São Paulo registrou um aumento de 34% nos casos de feminicídio no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2022. O estado de São Paulo registrou um aumento de 34% nos casos de feminicídio no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2022, segundo dados da Secretaria de Segurança do Estado (SSP).

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As estatísticas mostram também um aumento nos casos de lesão corporal dolosa e ameaças contra mulheres, ampliando o cenário de insegurança. Entre janeiro e junho de 2023, foram registrados 111 assassinatos de mulheres em todo o estado, enquanto no ano anterior foram 83.

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Além disso, os casos de lesão corporal dolosa contra mulheres aumentaram 14%, totalizando 28.117 registros, e os casos de ameaças contra mulheres subiram 66%, com 48.728 registros em 2023, comparados a 29.313 em 2022. Esses dados sobre feminicídio são informações do portal “g1”.

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Medidas protetivas 

As autoridades e organizações civis buscam reforçar as medidas de proteção e conscientização, mas os desafios são enormes. Os pedidos de medidas protetivas, por exemplo, aumentaram 17% apenas no primeiro semestre, um reflexo da urgência e da necessidade de ações efetivas. Os dados foram divulgados pela SSP.

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Como denunciar

Veja os canais para realizar denúncias de agressão.

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Por telefone

Em casos de emergência, onde a vítima corre risco imediato, ligue para o 190. A polícia deve ser acionada e o socorro é obrigatório. A ligação pode ser feita por qualquer pessoa que presencie a agressão.

Em casos não emergências o canal para ligação é o 180 ou 100 para registrar uma denúncia (pode ser anônima) e obter orientações. Se possível, saia de perto do agressor antes de fazer a ligação. Realize a ligação do seu celular e disponibilize um contato de emergência para a polícia.

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Canal do telegram

Busque por “Direitos humanos Brasil” e envie mensagem para a Central de Atendimento à Mulher.

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Pela internet

A vítima pode realizar um boletim de ocorrência online Desde julho de 2020, o boletim de ocorrência pode ser feito online sem necessidade de ir à delegacia.

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Pesquise “boletim de ocorrência + nome do estado” para encontrar o link correto. Preencha o boletim de ocorrência detalhadamente, anexando provas (fotos, mensagens, e-mails).

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Na delegacia

Procure uma Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM). Opte por uma DEAM, especializada para essas situações na sua região. Caso não haja uma DEAM, procure a delegacia mais próxima do local da violência.