Bebida que cegou mulher em SP leva MPSP a denunciar dois homens por falsificação após perícia encontrar altas concentrações de metanol

Perícia identificou substância tóxica em oito amostras recolhidas de garrafas comercializadas em estabelecimento de Guarulhos

Metanol surge do processo de fermentação e destilação de bebidas alcoólicas. Imagem: Domínio Público

Os produtos eram adquiridos de diferentes fornecedores sem documentação que comprovasse a procedência. Foto: Freepik

A bebida que cegou uma mulher em Guarulhos, na Grande São Paulo, levou o Ministério Público de São Paulo (MPSP) a denunciar dois homens nesta semana. O caso envolve uma bebida alcoólica adulterada com metanol e uma investigação sobre a origem dos produtos comercializados.

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Como funcionava a venda das bebidas

Segundo o MPSP, um dos denunciados era responsável por um estabelecimento localizado na Avenida Guarulhos. Ele comprava bebidas de diferentes fornecedores sem exigir documentos que comprovassem a origem dos produtos.

O segundo homem atuava como fornecedor. Conforme a investigação, ele comprava vodcas de vendedores desconhecidos nas proximidades do Mercado Municipal de São Paulo.

Ainda segundo o Ministério Público, essas bebidas chegavam aos estabelecimentos como se fossem produtos de uma marca conhecida. Os produtos não tinham comprovação de origem ou autenticidade.

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A denúncia aponta que o comerciante priorizava fornecedores que ofereciam preços menores. A falta de documentação também dificultava a identificação da procedência das garrafas.

O que a perícia encontrou nas garrafas

A mulher consumiu a bebida em 27 de setembro de 2025. Depois, apresentou um quadro grave de intoxicação por metanol e precisou ser internada.

A intoxicação provocou perda completa e permanente da visão nos dois olhos, segundo as informações apresentadas pelo MPSP.

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Em 15 de outubro daquele ano, agentes apreenderam várias garrafas no estabelecimento. Parte dos produtos não tinha comprovação de origem.

A perícia analisou oito amostras. Todas apresentaram metanol em concentrações entre 34,6% e 40,9%, segundo o Ministério Público. O laudo classificou as bebidas como adulteradas e impróprias para consumo.

Por que o metanol pode causar cegueira

O metanol é um álcool industrial diferente do etanol usado em bebidas próprias para consumo. Quando ingerido, o organismo transforma a substância em compostos altamente tóxicos.

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O Ministério da Saúde informa que a intoxicação pode atingir o sistema nervoso e provocar alterações graves na visão. Em casos severos, pode causar cegueira permanente e até morte.

Os sintomas podem aparecer horas depois do consumo. Entre os sinais estão dor de cabeça, tontura, náusea, vômito, dor abdominal e confusão mental.

Alterações visuais também são um sinal de alerta. A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo cita visão turva, fotofobia e perda da visão das cores entre as manifestações possíveis.

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O que acontece agora com os denunciados

O MPSP apresentou a denúncia na sexta-feira, 25 de setembro de 2026. Os dois homens poderão responder por falsificação de produto destinado ao consumo e lesão corporal.

A denúncia ainda representa uma acusação. A responsabilização criminal depende do andamento do processo e das decisões da Justiça.

O caso também reforça a importância de verificar a procedência de bebidas alcoólicas. O Ministério da Saúde recomenda evitar produtos sem rótulo, sem lacre de segurança ou sem comprovação de origem.

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Em caso de suspeita de intoxicação após o consumo de bebida, a orientação oficial é procurar atendimento médico imediatamente. O tratamento deve ser realizado por profissionais de saúde.