Bilionário e cofundador do Google gasta US$ 102 milhões em operações eleitorais para impedir taxação dos super-ricos

Sergey Brin tornou-se o maior financiador individual da campanha contra proposta que pretende cobrar taxa única de 5% sobre a fortuna dos bilionários da Califórnia

Cofundador do Google, Sergey Brin pode ter de pagar aproximadamente US$ 13 bilhões caso a nova tributação seja aprovada (Foto: James Duncan Davidson / O'Reilly Media, Inc. / Wikimedia Commons)

Cofundador do Google, Sergey Brin pode ter de pagar aproximadamente US$ 13 bilhões caso a nova tributação seja aprovada (Foto: James Duncan Davidson / O'Reilly Media, Inc. / Wikimedia Commons)

Sergey Brin, cofundador do Google, destinou US$ 102 milhões à organização Building a Better California, grupo político que combate a criação de um novo tributo. A proposta visa taxar centenas de bilionários que vivem na Califórnia em bilhões de dólares.

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Segundo os registros apresentados pela Fortune, a campanha contrária à medida já arrecadou mais de US$ 187 milhões. Brin aparece como o maior financiador individual desse movimento. Do outro lado, as contribuições favoráveis somam US$ 32 milhões.

Imposto de 5%

Batizada de Proposition 40, a proposta será submetida aos eleitores da Califórnia em novembro. Caso seja aprovada, aproximadamente 200 bilionários residentes no estado ficariam sujeitos a uma cobrança única equivalente a 5% de suas fortunas.

A proposta determina que 90% do dinheiro arrecadado seja direcionado ao programa estadual de saúde. Os 10% restantes seriam divididos entre educação, assistência alimentar e despesas administrativas relacionadas à implementação da medida.

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Bilionários reagem

Brin não está sozinho na oposição. Outros nomes ligados ao setor de tecnologia, como o ex-CEO do Google, Eric Schmidt, e o cofundador do PayPal, Peter Thiel, também fizeram contribuições a organizações contrárias à Proposition 40.

Ao comentar a proposta, Brin relacionou a discussão à própria infância na União Soviética. Ele afirmou ao New York Times que sua família abandonou a nação em 1979 devido às pressões do regime socialista, e que deseja que a Califórnia não siga esse caminho.

Até o governador democrata da Califórnia, Gavin Newsom, posicionou-se contra o imposto. Segundo ele, a medida pode gerar uma fuga dos super-ricos para outros estados, diminuindo a arrecadação e recursos a serem aplicados nos serviços públicos.

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Quanto a medida pode render?

A estimativa apresentada é que o imposto gere aproximadamente US$ 100 bilhões ao longo de cinco anos. A dimensão do impacto de uma eventual fuga de bilionários, entretanto, permanece no centro da discussão.

Um estudo calculou que os bilionários residentes na Califórnia pagaram US$ 4,1 bilhões em imposto de renda no ano anterior, equivalente a cerca de 0,2% de uma riqueza conjunta avaliada em US$ 2 trilhões.

Pelos cálculos apresentados no trabalho, mesmo uma saída de todos os bilionários levaria aproximadamente 25 anos para que a perda acumulada de imposto de renda alcançasse os US$ 100 bilhões projetados com a nova cobrança.

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Caso apenas um quarto desse grupo deixasse a Califórnia, seriam necessários cerca de 100 anos para atingir o mesmo valor.

Fuga de capital

A possível fuga de bilionários da Califórnia não envolve apenas a troca de endereço residencial. Nos últimos anos, parte do dinheiro, das empresas e dos executivos ligados ao setor de tecnologia começou a ganhar espaço em outros estados, principalmente Flórida e Texas.

Miami tornou-se um dos principais destinos dessa movimentação. Sergey Brin e Larry Page compraram imóveis milionários na região, enquanto o próprio Google ampliou sua presença local. Em 2026, a companhia quadruplicou seu espaço de escritórios na cidade, passando de aproximadamente 10 mil para 45 mil pés quadrados.

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Outros nomes importantes acompanharam a tendência. Peter Thiel levou estruturas da Founders Fund para Miami, enquanto a Palantir transferiu sua sede para a cidade. No setor financeiro, a Citadel já havia mudado seu quartel-general de Chicago para o sul da Flórida em 2022, ajudando a atrair capital, profissionais e novos investimentos.

O Texas representa outra frente dessa descentralização. Austin abriga atualmente a sede mundial da Oracle e a sede principal da Tesla. Além de concentrar um ecossistema de empresas, investidores e profissionais de tecnologia que cresceu fortemente fora da Califórnia.