Durante as eleições de 2026, a ordem dos votos também passou a ser questionada nas redes sociais. Eleitores estranharam a sequência adotada pela urna, principalmente porque deputado federal, que tem quatro números, aparece antes de deputado estadual, com cinco números.
Nas redes sociais, houve uma discussão sobre a lógica para a disposição dos cargos. Alguns eleitores chegaram a sugerir que a ordem deveria acompanhar a quantidade de números digitados ou separar primeiro os cargos estaduais e depois os federais. A dúvida não é totalmente nova. Em 2018, quando a sequência foi alterada pela primeira vez, o próprio Tribunal Superior Eleitoral precisou reforçar a comunicação sobre a ordem dos votos.
Por que deputado federal vem antes do estadual na urna?
Até 2006, o eleitor começava pelo deputado federal. Depois, uma resolução do tribunal mudou a sequência e, nas eleições de 2010 e 2014, o primeiro voto passou a ser para deputado estadual ou distrital.
O projeto que alterou a ordem dos painéis da urna foi apresentado em 2010 e posteriormente aprovado pelo Congresso. A Lei nº 12.976, de 2014, alterou a legislação para estabelecer a ordem de exibição dos cargos na urna eletrônica.
Na justificativa da mudança, o argumento apresentado era que a alteração feita anteriormente pelo TSE poderia confundir os eleitores, já acostumados com a ordem anterior. A nova lei, portanto, buscou deixar a sequência definida diretamente na legislação eleitoral, em vez de depender de uma resolução do tribunal a cada eleição.
Apesar da aprovação da mudança, ela não foi aplicada imediatamente. Para as eleições de 2014, o Tribunal Superior Eleitoral avaliou que a alteração exigiria mudanças no software da urna e treinamento, entre outros procedimentos. Por isso, a ordem antiga foi mantida naquele pleito.
A primeira eleição com a nova sequência foi a de 2018. Desde então, o eleitor começa pelos quatro dígitos do deputado federal e, na sequência, digita os cinco números do deputado estadual ou distrital.
A ordem atual tem alguma relação com a importância do cargo?
Não. A posição na urna não estabelece uma hierarquia entre deputado federal e deputado estadual.
Os dois cargos fazem parte das eleições proporcionais, enquanto senador, governador e presidente integram as eleições majoritárias. A própria regulamentação do TSE organiza primeiro os cargos proporcionais e depois os majoritários.
Isso ajuda a explicar por que a sequência pode causar estranhamento: ela não segue uma ordem geográfica simples nem a quantidade de dígitos dos candidatos. Em 2026, a sequência oficial é deputado federal, deputado estadual ou distrital, dois senadores, governador e presidente.
A ordem, portanto, não foi criada para indicar qual cargo seria mais importante. Ela é definida pelas regras eleitorais e tem uma história própria, que remonta a mudanças feitas antes de a sequência atual ser adotada em 2018.
Em 2018, Giuseppe Janino, então secretário de Tecnologia da Informação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), afirmou à Agência Câmara que o eleitor passaria a enfrentar uma “sequência não lógica”, já que começaria pelo deputado federal e, logo depois, teria de escolher o deputado estadual.
Segundo Janino, o risco da sequência era provocar confusão entre os eleitores. Por isso, o TSE planejou campanhas de informação para divulgar a nova ordem e evitar que pessoas chegassem à urna esperando encontrar os cargos na sequência usada em eleições anteriores.
A declaração de Janino ajuda a explicar por que a ordem pode parecer estranha até hoje. Ela não foi organizada para representar uma hierarquia entre os cargos, mas resultou de uma alteração aprovada pelo Congresso e incorporada às regras da votação.






