Boulos e França cobiçam ministério e antecipam disputa por Prefeitura de SP

Ambos estão mirando o comando do futuro Ministério das Cidades

Ambos foram nomeados para atuar no grupo temático da transição

Ambos foram nomeados para atuar no grupo temático da transição | Reprodução/Facebook

O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) e o ex-governador de São Paulo Márcio França (PSB-SP) são cotados nos bastidores para assumir o futuro Ministério das Cidades, num cenário que tem impacto na briga pela Prefeitura de São Paulo em 2024. 

Continua após a publicidade

Ambos foram nomeados para atuar no grupo temático da transição sobre o assunto. Na campanha, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que era necessário recriar o Ministério das Cidades para tratar dos “problemas urbanos” do país. 

Continua após a publicidade

A pasta foi extinta pelo presidente, Jair Bolsonaro (PL). No início do mandato, fundiu Cidades e Integração Nacional ao Ministério do Desenvolvimento Regional. 

Continua após a publicidade

A definição de Lula por Boulos ou França deve ter reflexo na eleição municipal de São Paulo, uma vez que PSOL e PSB têm pré-candidatos ao cargo. 

Continua após a publicidade

A futura pasta das Cidades é desejada por ter orçamento bilionário e responder por obras de moradia, saneamento e transporte. 

Continua após a publicidade

Boulos acredita que a pasta lhe daria vitrine importante para disputar a prefeitura de São Paulo em 2024 -e que a nomeação seria positiva por ser um ministério que trata de moradia, área em que militou. 

Continua após a publicidade

Já o PSB mira posições de relevância no governo e acredita que Cidades ajudaria a alavancar a imagem do partido.
Na avaliação da sigla, a pasta terá grande visibilidade e será uma arma poderosa do ponto de vista político. A ideia é lançar a deputada Tabata Amaral (PSB) para a prefeitura. 

Continua após a publicidade

Embora França indique nos bastidores preferir outro ministério, como o da Indústria e Comércio -que também deverá ser recriado por Lula-, integrantes do PSB e do PT avaliam que é possível a pasta das Cidades ser oferecida ao dirigente socialista. 

Continua após a publicidade

França era pré-candidato ao Governo de São Paulo e abriu mão da disputa para apoiar Fernando Haddad (PT-SP). Foi também um dos responsáveis pela articulação que levou Geraldo Alckmin (PSB) a ser escolhido como vice de Lula. 

Continua após a publicidade

Ele acabou se lançando ao Senado, mas foi derrotado pelo ex-ministro bolsonarista Marcos Pontes (PL). 

Continua após a publicidade

Pessoas próximas de França dizem nos bastidores há um acordo para que ele ocupe algum posto no primeiro escalão do governo federal. 

Continua após a publicidade

Além de Cidades, outra possibilidade aventada é que seja indicado para o Ministério de Ciência e Tecnologia. No entanto, França tem indicado em conversas reservadas que prefere Cidades ou Indústria e Comércio. 

Continua após a publicidade

Petistas, porém, reclamam de antemão da possibilidade de França ser ministro em função de outros cargos que o PSB já deverá ter no governo. 

Continua após a publicidade

Além de Alckmin na vice-presidência, é dado como bastante provável que o senador eleito Flávio Dino (PSB-MA) será ministro da Justiça. Em busca de espaço, pessebistas alegam que Dino seria um nome da cota pessoal do presidente, e não do partido. 

Continua após a publicidade

Por outro lado, integrantes do PT reclamam que o PSB elegeu 14 deputados e não tem tamanho suficiente para ser beneficiado com tantos cargos na Esplanada. Mesmo assim, o nome de França é tratado como uma opção forte no páreo de ministeriáveis. 

Continua após a publicidade

Em 2020, ele e Boulos se enfrentaram na eleição para prefeito de São Paulo. França fez 13,6% contra 20,2% do psolista, que foi ao segundo turno, mas não se elegeu. 

Continua após a publicidade

Desde então, Boulos acredita que, com o apoio do PT, tem chance de brigar para vencer em 2024. Na noite de 30 de outubro, depois de perder o Governo de São Paulo para Tarcísio de Freitas (Republicanos), Haddad “inaugurou” a disputa pela prefeitura da capital paulista ao reiterar seu apoio a Boulos para o próximo pleito municipal. 

Continua após a publicidade

Além dele e de Tabata, há ainda outros dois nomes colocados: o atual prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o ex-ministro Ricardo Salles (PL). 

Continua após a publicidade

A disputa pelo Ministério das Cidades -e depois pela Prefeitura de SP- entre os nomes do PSB e PSOL também tem potencial de colocar em lados opostos Alckmin e o partido de Lula. 

Continua após a publicidade

França é muito ligado ao vice eleito, que trabalha para o aliado ocupe um papel de destaque no governo. 

Continua após a publicidade

Lula afirma em conversas reservadas que quer dar bom espaço para Boulos e França. Por um lado, vê o socialista como um nome importante para a articulação política do Executivo. Por outro, Boulos é considerado como um dos líderes mais populares que surgiu na esquerda nos últimos anos. 

Continua após a publicidade

Além disso, é figura-chave para manter o PSOL na base do governo. Apesar de o PSOL não ser um dos partidos com mais deputados da Câmara, tem representatividade na esquerda. 

Continua após a publicidade

A instituição de um grupo de trabalho na transição sobre cidades é um indício da intenção de Lula de recriar um ministério com essa atribuição na Esplanada. 

Continua após a publicidade

A pasta foi instituída pelo próprio Lula em 2003, quando ele tomou posse pela primeira vez como presidente. 

Continua após a publicidade

Na época, foi escolhido para comandar o órgão o ex-governador do Rio Grande do Sul Olívio Dutra. O gaúcho ficou no cargo por pouco mais de um ano e foi substituído por Márcio Fortes. 

Continua após a publicidade

Na ocasião, Lula fez a mudança para ampliar o espaço do PP no governo e reforçar a base aliada no Congresso. 

Continua após a publicidade

O ministério é muito cobiçado porque deverá estar na sua alçada, entre outras políticas públicas, o Minha Casa Minha Vida. O projeto de habitação para população de baixa renda foi uma das principais vitrines dos governos do PT. 

Continua após a publicidade

No governo Bolsonaro, o programa foi rebatizado de Casa Verde e Amarelo. 

Continua após a publicidade

Na campanha, Lula prometeu retomar o projeto. “Uma das melhores coisas que fizemos foi criar o Ministério das Cidades, e foi através do Ministério que dizemos muita coisa, sobretudo para o povo da periferia. Nós vamos não só recompor o ministério das Cidades como vamos retomar o Minha Casa Minha Vida com muita força”, disse.