Calor extremo pode atingir 3,8 bilhões até 2050 e colocar Brasil entre os mais afetados, diz estudo

Pesquisa publicada na revista científica Nature Sustainability projeta aumento da exposição ao calor extremo com aumento de 2°C acima dos níveis pré-industriais

Brasil é um dos países que pode ser mais afetado pelo aumento extremo da temperatura

Brasil é um dos países que pode ser mais afetado pelo aumento extremo da temperatura | Paulo Pinto/Agência Brasil

Um estudo da Universidade de Oxford projeta que quase metade da população mundial poderá viver sob condições de calor extremo até 2050 caso o aquecimento global atinja 2°C acima dos níveis pré-industriais. 

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Nesse cenário, cerca de 3,8 bilhões de pessoas estariam expostas a temperaturas consideradas perigosas.

A pesquisa, publicada na revista científica Nature Sustainability, ainda indica que o Brasil está entre os países que devem registrar alguns dos maiores aumentos na exposição ao calor extremo, ao lado de Nigéria, Sudão do Sul, Laos e República Centro-Africana.

Segundo os autores, parte relevante das mudanças na demanda por resfriamento e adaptação climática ocorre antes mesmo de o planeta atingir o limite de 1,5°C previsto no Acordo de Paris.

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Pressão por refrigeração e energia

Com a elevação das temperaturas, a tendência é de aumento na procura por sistemas de resfriamento, como ar-condicionado, e maior consumo de energia elétrica, aponta o estudo.

Esse movimento pode ampliar as emissões associadas à geração de energia, caso não haja avanço na transição para fontes de baixo carbono.

Em países de clima predominantemente frio, o crescimento proporcional de dias quentes deve ser ainda mais acentuado. Algumas nações europeias podem mais que dobrar a incidência de calor desconfortável em relação ao período de 2006 a 2016.

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Os pesquisadores destacam que edificações projetadas para reter calor tendem a intensificar os impactos nessas regiões.

Alertas e adaptação climática

O professor Jesus Lizana, autor principal do estudo e professor associado de Ciências da Engenharia em Oxford, afirma que as transformações na demanda por resfriamento exigem medidas de adaptação no curto prazo.

“Muitas residências podem precisar de ar-condicionado nos próximos cinco anos, mas as temperaturas continuarão subindo muito depois disso se atingirmos 2,0 de aquecimento global”, afirmou.

A professora Radhika Khosla, da Smith School of Enterprise and the Environment de Oxford, avalia que ultrapassar 1,5°C pode gerar impactos na saúde, educação, agricultura e migração. Segundo ela, políticas de emissões líquidas zero de carbono seguem como principal estratégia de contenção.

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O estudo também disponibiliza dados abertos para apoiar planejamento urbano e políticas de sustentabilidade. Para os autores, decisões sobre infraestrutura e energia nos próximos anos serão determinantes para reduzir riscos associados ao calor extremo.

Clima entra no cálculo de risco global

O avanço do calor extremo e seus impactos projetados sobre população, energia e infraestrutura estão entre os elementos que fizeram o Relógio do Juízo Final avançar no início da semana.