China e Turquia lideram ranking de prisões de jornalistas em 2019

O número de jornalistas presos pelo regime chinês é o maior desde o início da série histórica do Comitê para Proteção de Jornalistas (CPJ), em 1992

O relatório contabilizou que havia 250 profissionais detidos em 1º de dezembro de 2019

O relatório contabilizou que havia 250 profissionais detidos em 1º de dezembro de 2019 | Divulgação

A China, sob ditadura, e a Turquia, que vive uma democracia com traços autoritários, lideram a lista dos países que registram o maior número de jornalistas detidos em 2019 – 48 e 47, respectivamente.

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Os números são de um levantamento em 33 nações feito pelo Comitê para Proteção de Jornalistas (CPJ), entidade global de defesa da atividade jornalística.

O relatório contabilizou que havia 250 profissionais detidos em 1º de dezembro de 2019. No ano passado, eram 255 – o pico de detenções foi em 2016, com 273 casos.

Os números da China refletem a consolidação do poder de Xi Jinping, que tem restringido de forma crescente as liberdades no país desde que assumiu a liderança do Partido Comunista, em 2012.

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Em 2019, Pequim buscou controlar a disseminação de informações sobre os protestos em Hong Kong e o encarceramento em massa de membros da minoria muçulmana uigur, o que impulsionou a detenção de jornalistas.

O número de profissionais presos pelo regime neste ano é o maior desde o início da série histórica do CPJ, em 1992.

No caso da Turquia, é a primeira vez desde 2015 que o país não encabeça o ranking. A partir de 2016, a quantidade de jornalistas encarcerados cai a cada ano. O dado, porém, não indica melhora na liberdade de imprensa local.

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Nos últimos meses, o governo de Recep Tayyip Erdogan fechou mais de cem veículos de comunicação e denunciou vários de seus funcionários por terrorismo. Diante da eficácia das políticas de Erdogan e do crescente número de jornalistas que já deixaram o país, os meios restantes têm recorrido à prática da autocensura.

Os dois países também lideram a lista dos que mais aplicaram a pena de prisão perpétua: três casos para cada um.

A acusação mais frequente feita pelas nações do ranking – o Brasil não figura na lista – é a de “reportagens anti-Estado”, ou seja, a publicação de informações consideradas negativas ou críticas. Muitas vezes, tais acusações são feitas com base em leis que contêm termos de ampla interpretação, como “informações não patrióticas”.

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Também são frequentes as alegações de que jornalistas divulgaram documentos sigilosos – embora normalmente se trate de informações públicas ou que não haviam sido previamente classificadas como confidenciais.

A má reputação da Arábia Saudita em relação à liberdade de imprensa, agravada pelo caso do assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, é refletida nos números. O reino tem o maior número de casos em que a denúncia feita contra o jornalista detido não é revelada.

O regime do egípcio Abdel Fattah al-Sisi é outro que se destaca por violar o devido processo legal. A maioria dos jornalistas detidos é julgada em processos coletivos.

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Em 2019, o Egito libertou alguns dos profissionais. Contudo, eles foram ordenados a se apresentar diariamente, à noite, a uma delegacia, onde os agentes decidem se podem voltar para casa ou se passarão a noite no local.