Veja qual foi a decisão fundamental da COP29 e o que esperar da COP30

Conferência de 2024 terminou com aprovação de financiamento bilionário aos países em desenvolvimento

COP29 foi realizada na capital do Azerbaijão

COP29 foi realizada na capital do Azerbaijão | Apex Brasil/Divulgação

A 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) pretende dar novas diretrizes para o enfrentamento das mudanças climáticas em nível global, entre 10 e 21 de novembro, em Belém, no Pará. Mas o que de mais importante foi decidido na COP29, realizada na cidade de Baku, no Azerbaijão?

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A conferência de 2024 terminou com a aprovação de um acordo sobre a Nova Meta Quantificada Coletiva (NCQG, na sigla em inglês) de financiamento climático no âmbito do Acordo de Paris.

Com isso, os países desenvolvidos se comprometeram a fornecer, no mínimo, 30 bilhões de dólares anuais até 2035 para apoiar os países em desenvolvimento na diminuição de suas emissões de gases de efeito estufa e na adaptação aos impactos das mudanças climáticas.

A decisão também convocou as nações a cooperar para que, até 2035, a cifra alcance a marca de 1,3 trilhão de dólares, proveniente de fontes públicas e privadas.

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Questões pendentes

Segundo o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), o evento de 2024 foi um marco importante para o avanço de temas como o mercado de carbono global e o financiamento climático.

“No entanto, questões cruciais ficaram pendentes, fazendo da COP30 uma etapa decisiva para consolidar políticas e acelerar as negociações rumo a soluções mais eficazes”, escreveu a instituição em nota.

O CEBDS se autointitula “a voz do setor empresarial para o desenvolvimento sustentável no Brasil” e atua no setor desde 1997. O conselho foca prioritariamente em oito áreas: Advocacy, Água, Amazônia, Biodiversidade, Economia Circular, Impacto Social, Mudanças Climáticas e Sistemas Agroalimentares.

Em carta aberta enviada ao setor empresarial, a presidente do CEBDS, Marina Grossi, destacou a necessidade de o setor privado assumir o protagonismo na transição climática e no desenvolvimento e implementação de soluções sustentáveis. Ela será a enviada especial do setor empresarial para a COP30.

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Para ela, se tornou evidente que as soluções estão ao alcance do setor, mas, para atingirem a escala necessária, ainda dependem de recursos adequados e acessíveis nos países e regiões que mais precisam deles.

“É preciso direcionar mais investimentos para a transição energética no Sul Global; criar mecanismos financeiros que reduzam riscos e aumentem a previsibilidade de projetos de baixo carbono; harmonizar mercados e padrões de carbono; ampliar a transparência nas cadeias de suprimentos; investir na capacitação da força de trabalho para a nova economia; além de valorizar a bioeconomia, os biocombustíveis e a regeneração de áreas degradadas como pilares de um novo ciclo de desenvolvimento sustentável”, escreveu ela.

“Belém será o palco para mostrar ao mundo que as soluções existem e que podem ser ampliadas e alavancadas com as políticas certas, os investimentos necessários e o dinamismo do setor privado”, continuou a especialista.

Valor insuficiente

Em nota após o encontro de Baku, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil informou que o valor foi considerado insuficiente pelo governo brasileiro e por outros países em desenvolvimento. Os recursos necessários seriam de US$ 1,3 trilhão a cada ano, segundo a Pasta.

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“Estudos apontam que as necessidades dos países em desenvolvimento no enfrentamento à crise climática superam a casa dos trilhões de dólares anuais”, escreveu a secretaria, também em nota.

A NCQG substituiu o objetivo anterior de financiamento, que estabelecia a destinação de 100 bilhões de dólares anuais, de 2020 a 2025, das nações desenvolvidas para as em desenvolvimento.

Definido em 2009, em Copenhague, na Dinamarca, o compromisso não foi plenamente cumprido.

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“Precisamos de um realinhamento em relação àquilo que é essencial de um processo multilateral: a confiança. É preciso que honremos os nossos compromissos”, disse a ministra Marina Silva após o fim da conferência em Baku.

O encontro em Belém ainda marcará o aniversário de dez anos da assinatura do Acordo de Paris, durante a COP21, na capital francesa, que se tornou um marco para fortalecer a resposta global à crise climática.

Em Belém, a expectativa geral é que o evento se torne um espaço para avaliar os avanços do Acordo de Paris, ajustar as metas e fortalecer as parcerias internacionais.  

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Para o presidente da COP30, André Aranha Corrêa do Lago, é necessário que os países desenvolvidos arquem com valores maiores para mitigar os riscos ambientais. Disse ainda que a cooperação deverá ser a palavra do evento na região Norte do país.

“Como afirma o presidente Lula, a COP30 será a COP da verdade, na qual seremos postos à prova em nossa capacidade de deixar de lado as diferenças e enfrentar a crise climática como a ameaça existencial que ela representa. A cooperação deve novamente emergir como o princípio organizador da resposta global”.