Cultura do cancelamento: Saiba como o fenômeno afeta a vida dos participantes do BBB

Psicóloga clínica alerta que a tendência de transformar um participante em vilão prejudica sua saúde mental e sua vida social dentro e fora do reality

A cultura do cancelamento prejudica a saúde mental e vida social de quem dentro e fora do reality

A cultura do cancelamento prejudica a saúde mental e vida social de quem dentro e fora do reality | Reprodução Globoplay

O Big Brother Brasil 24 estreou há 3 semanas, tempo suficiente para que alguns participantes sejam acometidos por um fenômeno crescente: a cultura do cancelamento. Essa tendência se manifesta principalmente nas redes sociais e tem como objetivo o linchamento virtual que visa boicotar e banir pessoas, eventos ou marcas que assumem comportamentos considerados incorretos. 

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A psicóloga Tatiane Paula que relatou como participar ou ser vítima da cultura do cancelamento pode ser destrutivo e alertou sobre cuidados mentais que devem ser tomados nesta época de reality, confira abaixo:

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Porque o cancelamento pode ser prejudicial?

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Tatiane Paula informou que participar ou ser vítima deste episódio pode ser perigoso, isso porque segundo ela o cancelamento surgiu para incentivar questionamentos e debates sobre comportamentos prejudiciais, o cancelamento na maioria das vezes se desvia do propósito original. Entretanto, ao invés de promover discussões construtivas, atualmente o cancelamento tornou-se um cenário onde atitudes e pensamentos são condenados sem espaço para diálogo.

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“Em meio à busca por entretenimento, as massas tornam-se juízes virtuais, elegendo vilões e desencadeando diversas críticas e ameaças. A pessoa rotulada como “vilã” do reality acaba se tornando alvo das frustrações coletivas”, relatou Tatiane Paula, psicóloga clínica.

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Porque os participantes do BBB tem um psicólogo a disposição?

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“Os reality shows, em sua essência, submetem os participantes a uma intensa pressão. A exposição ao público cria uma dinâmica de jogo e espetáculo, muitas vezes priorizando o entretenimento sobre a ética. Em busca da possibilidade de ganhar dinheiro e fama, os participantes podem adotar estratégias controversas, alimentando um ciclo de dramas e conflitos”, explicou Tatiane.

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A psicologia desempenha um papel essencial nesse espetáculo midiático. De acordo com a especialista, a representação de participantes como mocinhos e vilões revela uma necessidade coletiva de encontrar inimigos, transformando o jogo em uma dinâmica de grupo onde a coesão social é construída às custas da reputação e do bem-estar emocional não apenas do participante do reality, mas também das pessoas próximas a ele.

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Como o reality pode ajudar a desmistificar e democratizar informações sobre saúde mental?

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A psicóloga pontuou que a reflexão sobre nosso papel como consumidores e produtores dessa narrativa é fundamental. Ao compreender as dinâmicas psicológicas envolvidas, podemos questionar nossa contribuição para esse espetáculo, promovendo uma cultura mais crítica e consciente diante dos impactos reais sobre a saúde mental e emocional dos envolvidos. Além disso, há uma associação curiosa com personagens de novelas, mas no contexto da vida real. 

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“A representação do participante como vilão ou mocinho não é um espelho fiel de quem são fora das telinhas. O público é instigado a refletir sobre a complexidade por trás dos comportamentos exibidos, reconhecendo que a construção de personagens está sujeita à manipulação do espetáculo”, esclareceu a psicóloga clínica.

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Recentemente, o cantor Rodriguinho, participante do camarote do BBB 24, tem enfrentado ameaças e críticas nas redes sociais por sua participação no programa. Paralelamente, a influenciadora digital Vanessa Lopes, temendo passar por isso, tomou a decisão de apertar o botão e abandonar o programa. Esses eventos destacam a pressão e os desafios enfrentados pelos participantes diante da intensa exposição e do julgamento virtual, ressaltando a urgência de discutir os impactos reais da cultura do cancelamento nos bastidores do entretenimento televisivo.

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Segundo Tatiane, George Orwell, décadas atrás, capturou nuances sociais que ressoam nos reality shows modernos. Seus enredos, como em “1984” e “A Revolução dos Bichos”, ecoam nos dramas televisivos atuais, oferecendo um olhar perspicaz sobre vigilância, manipulação de verdades, poder e a distração proporcionada pelo entretenimento.

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“Ao mergulharmos nas tramas desses programas, devemos lembrar que cada participante, ao escolher sua estratégia, contribui para uma narrativa cuidadosamente manipulada. A reflexão profunda nos permite evitar julgamentos precipitados, compreendendo que o reality é um espetáculo desenhado para capturar audiências, mas que não reflete integralmente a verdadeira natureza dos envolvidos”, concluiu a especialista.

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*Assistente de Redação, sob supervisão de Matheus Herbert.