A tentativa de sequestro de uma criança em Guaianases, na zona leste de São Paulo, ganhou novos desdobramentos nos últimos dias.
O caso, que começou com uma ação frustrada em plena rua, agora envolve a morte da mãe do menino, do ex-companheiro dela, apontado como mentor do plano, a prisão de um suspeito e a investigação sobre a possível atuação do chamado “tribunal do crime”.
A Polícia Civil ainda apura as circunstâncias das mortes e tenta esclarecer como os fatos estão relacionados.
Como começou o caso?
A tentativa de sequestro aconteceu na última terça-feira (16/6), na Rua Moreira Neto, em Guaianases.
Segundo a investigação, Hamilton, ex-companheiro da mãe da criança, teria planejado retirar o menino da guarda dela após suspeitar de maus-tratos. Em vez de recorrer à Justiça, ele teria organizado um sequestro.
Para executar o plano, contou com a ajuda de Lucas. Os dois chegaram ao local em um táxi e um deles tentou colocar o menino, que andava de bicicleta, dentro do veículo.
A ação foi interrompida por um pedestre, que percebeu a movimentação e impediu o crime. Em seguida, moradores cercaram os suspeitos e os agrediram.
O motorista do táxi também dificultou a fuga ao desligar o carro.
Quem foi preso?
Na sexta-feira (19/6), Lucas foi localizado e preso por policiais militares na região da Santa Cecília, no Centro de São Paulo.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), ele foi indiciado por tentativa de subtração de incapaz.
Durante a abordagem, registrada pela câmera corporal dos policiais, Lucas confessou participação no crime e disse que passou quase dois dias escondido em um córrego por medo de ser morto após a repercussão do caso.
“Eu estava escondido porque a população tentou me matar”, afirmou aos policiais.
Quem são as vítimas encontradas mortas?
Dias após a tentativa de sequestro, a polícia identificou os dois corpos encontrados no bairro Colônia, também na Zona Leste.
As vítimas são Carolyn, mãe da criança, e Hamilton, apontado como o idealizador do plano para sequestrar o menino.
Segundo a investigação, ambos apresentavam sinais de espancamento e asfixia mecânica.
O que é investigado agora?
O Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) investiga quem matou Carolyn e Hamilton e qual foi a motivação do crime.
Uma das linhas de investigação considera a possibilidade de atuação do chamado “tribunal do crime”, expressão usada para definir julgamentos clandestinos promovidos por facções criminosas, que podem terminar em execução.
Até o momento, porém, essa hipótese ainda não foi confirmada.
O que diz a polícia?
A Secretaria da Segurança Pública informou ao G1 que as investigações continuam sob responsabilidade da 1ª Delegacia de Proteção à Pessoa, do DHPP.
Segundo a pasta, Lucas permanece preso por tentativa de sequestro, enquanto a polícia trabalha para esclarecer a relação entre a tentativa de levar a criança e a morte da mãe e do ex-companheiro dela.
As diligências seguem em andamento, e novas informações devem surgir conforme o avanço da investigação.
