Desabamento de prédio em SP leva polícia a anunciar indiciamento de quatro pessoas por homicídio com dolo eventual após seis mortes na zona leste

Investigação apura histórico da construção, atuação de fiscal municipal, prisões temporárias e possíveis irregularidades no imóvel

Desabamento de prédio na Penha

A Prefeitura de São Paulo determinou a paralisação de 26 empreendimentos ligados às empresas envolvidas na obra. Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros de São Paulo

Desabamento de prédio na Penha, na zona leste de São Paulo, levou a Polícia Civil a anunciar, em 15 de setembro, o indiciamento de quatro pessoas por homicídio com dolo eventual. A investigação apura responsabilidades pela queda da construção, ocorrida no sábado (12/9), que matou seis pessoas.

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Polícia aponta quatro possíveis responsáveis

A Polícia Civil informou que pretende indiciar quatro pessoas. Entre elas estão responsáveis pelas empresas ligadas à construção e uma fiscal da Prefeitura de São Paulo.

Três dos investigados já tiveram a prisão temporária decretada. Ronaldo Vivacqua permanece preso após decisão da Justiça. Cristiano Vivacqua e Isis Brandão são considerados foragidos.

A investigação aponta Ronaldo como possível sócio oculto de uma das empresas. Segundo os policiais, documentos antigos e depoimentos indicam que ele participava da administração e acompanhava diretamente a obra.

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O que significa dolo eventual

O Código Penal considera doloso o crime quando a pessoa quer o resultado ou assume o risco de produzi-lo. Por isso, o enquadramento anunciado pela polícia ainda depende do avanço da investigação e da análise das provas.

O indiciamento também não representa uma condenação. A investigação ainda deve individualizar a participação de cada pessoa apontada no caso.

Fiscal da prefeitura é afastada do cargo

A fiscal Viviane Rodrigues de Palma também está entre as pessoas que devem ser indiciadas. Ela prestou depoimento à Polícia Civil na terça.

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A prefeitura afastou a servidora por 120 dias. A medida foi adotada para evitar possíveis interferências no andamento das apurações.

Obra já tinha histórico de problemas

O endereço onde ocorreu o desabamento de prédio já era alvo de medidas administrativas antes da tragédia. Segundo a prefeitura, o município pediu em 2021 a demolição de uma construção irregular no local.

Naquele período, a administração municipal também aplicou uma multa de R$ 119 mil. Depois, em 2022, a construtora apresentou um novo projeto para o endereço.

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Em 2023, a prefeitura emitiu um alvará para uma nova construção. A autorização estabelecia que a estrutura anterior deveria ser demolida.

Uma vistoria realizada em fevereiro de 2024 analisou a demolição de uma área de 154 metros quadrados. O relatório da fiscalização registrou que a demolição teria sido concluída.

Depois do desabamento, porém, o advogado da construtora afirmou que a estrutura anterior não havia sido demolida.

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Prefeitura paralisa outras 26 obras

A Prefeitura de São Paulo determinou a paralisação de 26 empreendimentos ligados às construtoras responsáveis pela obra que caiu na Penha.

A medida amplia a apuração para outros locais relacionados às empresas. Os empreendimentos deverão permanecer sob análise enquanto as autoridades verificam possíveis irregularidades.

A Polícia Civil também informou que já ouviu 12 pessoas durante a investigação.

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Defesa contesta acusações

A defesa dos investigados nega que Ronaldo Vivacqua fosse sócio oculto da construtora. Segundo o advogado, ele apenas acompanhava o filho Cristiano, apontado como responsável técnico pela obra.

Os advogados também afirmam que a construção estava regular. A defesa reconheceu que houve uma ação judicial relacionada ao imóvel, mas afirmou que uma decisão posterior teria revertido a ordem de demolição.

Sobre as fissuras relatadas em imóveis vizinhos, a defesa afirmou que uma perícia deverá apontar a origem dos danos e esclarecer a causa do desabamento.

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A construtora também informou que abriu uma investigação interna e que pretende colaborar com as autoridades. As empresas disseram ainda que prestarão apoio às famílias das vítimas e aos sobreviventes.

A investigação continua para esclarecer as causas do desabamento de prédio e definir a responsabilidade individual dos envolvidos.