A avenida Brigadeiro Faria Lima é o centro financeiro mais importante da cidade de São Paulo e recentemente foi foco de uma investigação contra a lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). O que passa despercebido para a maioria é que essa avenida leva o nome de um ex-prefeito da capital paulista.
José Vicente de Faria Lima nasceu no Rio de Janeiro, em 1909, e morreu em 1969, aos 59 anos. O corpo do brigadeiro está sepultado no Cemitério Campo Grande, na zona sul da cidade.
“Para quem imaginava que Faria Lima era apenas uma avenida importante ligada ao mercado financeiro e seus ‘farialimers’, saiba que Zé Vicente Faria Lima descansa na zona sul de São Paulo”, destacou Thiago de Souza, criador do projeto O Que Te Assombra, que percorre cemitérios pelo Brasil em busca de boas histórias.
Trajetória até a prefeitura
José Vicente de Faria Lima nasceu no Rio de Janeiro em 1909, onde iniciou sua carreira na Aeronáutica, até atingir a patente de brigadeiro. Formou-se em Engenharia Aeronáutica em Paris, na França.
Em 1932, participou do combate contra os paulistas que aderiram à Revolução Constitucionalista.
Após deixar a carreira militar, Faria Lima presidiu a Viação Aérea São Paulo (Vasp) em 1955, foi secretário de Viação e Obras Públicas e, em 1961, assumiu a presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE).
Com o início da ditadura militar em 1964, foi eleito prefeito de São Paulo no ano seguinte.
Sua gestão se destacou pela abertura de vias importantes, como as avenidas 23 de Maio, Cruzeiro do Sul, Rubem Berta e as marginais Tietê e Pinheiros.
Deixou a prefeitura e faleceu no mesmo ano, 1969. Ele tinha o desejo de disputar o Governo de São Paulo.
Entre as obras impulsionadas por ele estava o alargamento da rua Iguatemi, entre o Largo da Batata e a avenida Cidade Jardim. A via, cujos trabalhos há haviam começado décadas antes, seria batizada de Radial Oeste. Com a morte do político, porém, ganhou o nome de Faria Lima.
Velório disputado
O velório de Faria Lima foi acompanhado por milhares de pessoas. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, agentes da Aeronáutica e da Força Pública precisaram restringir o acesso ao cemitério.
Segundo o portal UOL, pouco depois da morte, o brigadeiro foi um dos poucos não indígenas homenageados com a cerimônia indígena de despedida, o quarup.
Além dele, receberam a homenagem Leonardo Villas-Boas, Noel Nutels, Cláudio Villas-Boas, Álvaro Villas-Boas e Orlando Villas-Boas.
A homenagem foi uma demonstração de gratidão de um grupo indígena por Faria Lima ter prestado, como piloto da Força Aérea Brasileira (FAB), serviços de transporte à área ocupada desde 1961 pelo Parque do Xingu, localizado na Amazônia.
