Doria abre mão de extinguir Dersa

PARA DESTRAVAR PROPOSTA. Projeto que previa a extinção de 4 estatais recebeu críticas até de partidos favoráveis à privatização

A trava inicial no projeto foi considerada uma derrota política para João Doria, ainda que pequena

A trava inicial no projeto foi considerada uma derrota política para João Doria, ainda que pequena | /SUAMY BEYDOUN/AGIF/FOLHAPRESS

O projeto de lei que extingue estatais paulistas, enviado pelo governador João Doria (PSDB) à Assembleia Legislativa de São Paulo, ganhou adesão e estava marcada para ser votado nesta quarta-feira. Para destravar a proposta, no entanto, o governo teve que abrir mão de extinguir a Dersa, ao menos por enquanto.

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Um texto substitutivo elaborado pelo líder do governo, deputado Carlão Pignatari (PSDB), recebeu 67 assinaturas favoráveis. As assinaturas são necessárias para que haja substituição do texto original.

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Para ser aprovado, o projeto precisa alcançar a maioria simples numa sessão em que haja ao menos 48 deputados presentes – a Casa paulista tem 94 parlamentares.

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O projeto que previa a extinção de quatro estatais e a fusão de duas recebeu críticas tanto da oposição à esquerda como de partidos favoráveis às privatizações, como o PSL, que detém a maior bancada com 15 deputados. A proposta foi enviada por Doria à Assembleia no seu primeiro dia de governo e é considerada prioritária. Doria é postulante à corrida ao Palácio do Planalto em 2022.

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Deputados reticentes em relação à proposta reclamavam que o projeto não detalhava quais empresas seriam fundidas ou extintas, quais órgãos absorveriam as funções executadas por elas, qual seria o destino dos seus funcionários nem trazia dados sobre quanto elas custam e quanto seria economizado com a eliminação.

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Os parlamentares chegaram a sugerir que o governo fatiasse a proposta em mais projetos de lei para que a situação de cada empresa fosse discutida separadamente. Doria não atendeu ao apelo e, em vez disso, Pignatari elaborou uma emenda que responde a parte dos questionamentos e conseguiu satisfazer mais
deputados.

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“Essa emenda torna o projeto aprovável, ela explica. Porque antes estava uma salada, não se sabia o que ia fazer com cada uma. E a mais complexa ficou para trás”, diz Barros Munhoz (PSB), referindo-se à Dersa.

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A estatal de desenvolvimento rodoviário é vista com ressalvas principalmente por estar envolvida em escândalos de corrupção. Seu ex-diretor Paulo Preto é apontado como operador de propinas do PSDB e já foi condenado a uma pena de 145 anos de prisão. Hoje ele está preso pela Lava Jato, em Curitiba.

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O governo Doria gostaria de extinguir a Dersa já neste primeiro momento. A ideia agora é enviar um novo projeto com esse objetivo o quanto antes.

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O deputado Daniel José (Novo) diz que a bancada fez uma análise da situação das estatais e que os quatro deputados votarão a favor das extinções. “A emenda esclareceu e, no nosso julgamento, faz
sentido.”

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Há quem continue contra a medida, como o deputado Campos Machado (PTB). Na terça-feira (14), ele subiu à tribuna para desafiar quem assinou a emenda a defender a extinção das estatais. Também cobrou dados da saúde financeira das empresas e chamou a proposta de estelionato
eleitoral.

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“Semana passada essa proposta não tinha 30 apoios, hoje são 67. Qual é o milagre?”, questionou. A trava inicial no projeto foi considerada uma derrota política para Doria, ainda que pequena.

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“Antes o PSDB passava com rolo compressor aqui na Assembleia e agora já não consegue”, diz o deputado Gil Diniz, líder do PSL. Os tucanos, antes em maior número, passaram a ser a terceira maior bancada, com 8 deputados, empatados com o PSB. O PT é a segunda, com 10 parlamentares. (FP)