A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) aumentou para 95% a probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026. No boletim anterior, divulgado em julho, a estimativa era de 81%.
Para o período entre novembro e janeiro, a agência calcula 90% de chance de o fenômeno permanecer em intensidade muito forte. Também há 69% de probabilidade de que o episódio esteja entre os mais intensos registrados desde 1950.
A previsão ocorre em meio ao rápido aquecimento do Pacífico Equatorial. A temperatura da região conhecida como Niño 3.4, usada para monitorar o fenômeno, passou de 1,2°C para 1,8°C acima da média em cerca de um mês.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial e faz parte do fenômeno climático conhecido como ENOS (El Niño-Oscilação Sul). A intensidade e a duração variam de um episódio para outro.
Efeitos no Brasil
Os impactos do El Niño costumam variar conforme a região do país. No Sul, o fenômeno tende a aumentar o volume de chuva, elevando também o risco de temporais e enchentes.
Já no Norte e em parte do Nordeste, a tendência histórica é de redução das precipitações, o que pode favorecer períodos de seca.
No Sudeste e no Centro-Oeste, os efeitos são menos uniformes. O fenômeno pode contribuir para períodos de calor mais frequentes, chuvas irregulares e alterações na atuação das frentes frias.
A previsão também chama atenção para os efeitos sobre as temperaturas globais. Episódios de El Niño mais intensos costumam favorecer períodos de calor acima da média, em um cenário em que o planeta já registra temperaturas elevadas devido ao aquecimento global.
Aquecimento do Pacífico acelera
No boletim divulgado em julho, a NOAA apontava que o El Niño estava em processo de fortalecimento. Desde então, o aquecimento do Pacífico Equatorial se intensificou.
A anomalia de temperatura na região Niño 3.4 chegou a +1,8°C em 10 de agosto, segundo a atualização das condições oceânicas. O valor é compatível com um El Niño forte segundo classificações utilizadas por serviços meteorológicos, embora a NOAA tenha adotado uma projeção própria para a evolução do fenômeno.
A intensidade definitiva, porém, dependerá não apenas do aquecimento do oceano, mas também da resposta da atmosfera. Para que o fenômeno se mantenha forte, é necessário que oceano e atmosfera permaneçam acoplados durante os próximos meses.
Historicamente, episódios de El Niño ocorrem em intervalos de dois a sete anos e costumam durar cerca de 12 meses. Os eventos de maior intensidade podem alterar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do mundo.
