A possibilidade de uma nova crise hídrica em São Paulo voltou ao centro do debate após especialistas alertarem para o risco de agravamento no abastecimento de água no estado.
Segundo análise publicada pelo Valor Econômico, o cenário atual combina reservatórios abaixo do ideal, aumento da demanda e fragilidades estruturais no sistema, o que pode levar a episódios mais frequentes de escassez.
Reservatórios abaixo do nível ideal
Dados do sistema de abastecimento indicam níveis inferiores ao esperado para o período, especialmente após um verão com chuvas irregulares.
O Sistema Cantareira, principal fonte de abastecimento da Região Metropolitana, já registrou patamares críticos nos últimos anos, reflexo de precipitações abaixo da média e maior consumo, segundo especialistas ouvidos pela reportagem.
Redução de pressão já afeta moradores
Medidas operacionais, como a redução da pressão da água durante a noite, já são adotadas para preservar os reservatórios, prática que impacta diretamente o abastecimento em diferentes bairros.
Esse tipo de ação, segundo especialistas em saneamento, indica um cenário de estresse no sistema e pode se intensificar caso não haja recuperação dos níveis de água.
Especialistas defendem mudanças estruturais
De acordo com a análise, a crise não está ligada apenas à falta de chuva, mas a problemas estruturais. Entre as principais soluções apontadas estão:
- Redução das perdas na rede de distribuição;
- Ampliação do reúso de água;
- Investimentos em novos sistemas de captação;
- Preservação de mananciais.
Atualmente, uma parcela significativa da água tratada se perde antes de chegar ao consumidor final, agravando o cenário em períodos de seca.
Risco de racionamento não é descartado
Especialistas ouvidos pelo Valor afirmam que, sem medidas mais robustas, o estado pode enfrentar situações mais críticas, incluindo a possibilidade de racionamento, como ocorreu entre 2014 e 2015.
A avaliação é de que mudanças climáticas e crescimento urbano aumentam a pressão sobre o sistema e exigem planejamento de longo prazo.
