Uma iniciativa familiar em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, resultou na criação do que é considerado o primeiro gin do Brasil produzido com mel de abelhas nativas sem ferrão.
Batizado de Gin Puhuk, o rótulo é elaborado pela empreendedora Fernanda Godinho de Souza e conta com assistência técnica da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), desde a estruturação do negócio até a etapa de comercialização.
Além disso, a empresa baiana Cacau Loko lançou sua primeira bebida mista alcoólica à base de mel de cacau do Brasil. A pretensão é ganhar uma fatia do mercado brasileiro a partir de um produto extremamente nacional.
Empreendimento familiar
O projeto teve início de forma despretensiosa, quando os pais de Fernanda, Maria de Fátima Godinho e Ivan Correia de Souza, buscavam um refúgio nas montanhas mineiras para aproveitar a aposentadoria. O que seria apenas um espaço de lazer em meio à natureza acabou se transformando em um empreendimento.
A trajetória começou com a participação da família em um curso de produção de cerveja, inicialmente encarado como hobby. A experiência evoluiu para a criação de uma microcervejaria, que chegou a ser formalizada, mas foi posteriormente desativada.
A mudança de rumo ocorreu durante a pandemia, quando Ivan decidiu investir em uma nova proposta: a implantação de uma destilaria artesanal em parceria com a filha.
Gin Puhuk
O diferencial do Gin Puhuk está no uso de mel de abelhas nativas sem ferrão, produzido na própria propriedade da família.
Tradicionalmente aromatizado com botânicos, o gin ganhou identidade própria com a incorporação do mel, especialmente na linha Old Tom Gin, que utiliza méis das abelhas jataí, conhecidas pelo sabor suave e propriedades medicinais, e da uruçu amarela, uma das espécies sem ferrão de maior produção.
Atualmente, o meliponário da família abriga cerca de 11 espécies de abelhas. Segundo Fernanda Godinho de Souza, o mel confere doçura natural e uma identidade própria à bebida. O nome Puhuk reforça essa conexão com a natureza e a cultura local: a palavra significa “abelha” na língua da etnia indígena Machacali, de Minas Gerais.
A produção do gin integra um arranjo produtivo local apoiado pela Emater-MG. A maior parte dos botânicos utilizados na destilaria é fornecida por agricultores familiares da região, com exceção do zimbro, ingrediente essencial do gin, que precisa ser importado.
De acordo com Fernanda, a Emater-MG tem atuação constante no empreendimento, com assessoria técnica, apoio à participação em feiras e fortalecimento da cadeia produtiva.
A extensionista Adriene Patrícia Lemos explica que o trabalho da instituição vai além da produção, incluindo capacitação, apoio à legalização dos empreendimentos e orientações sobre boas práticas, processamento, documentação e estrutura das agroindústrias.
