Filha empreendedora realiza sonho da mãe e cria buffet de sucesso com o nome dela

Conheça a história do Espaço KM, que nasceu do sonho de Dona Marlene e da promessa de Kátia Brito em transformar um pedaço de mato no ganha-pão da família

Entre panelas e receitas de família, Dona Marlene acompanhava de perto a rotina do buffet (Foto: Arquivo pessoal)

Entre panelas e receitas de família, Dona Marlene acompanhava de perto a rotina do buffet (Foto: Arquivo pessoal)

Estrutura simples, chão de cimento e poucos recursos. Foi assim que Kátia Brito deu início ao projeto que sempre foi sonho de sua mãe, dona Marlene. Hoje, o “Espaço KM | Buffet e Eventos” é um empreendimento sólido no Grajaú, no extremo sul de São Paulo. 

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Mas o começo dessa trajetória foi desafiador. Foi preciso reformar um terreno tomado por mato, investir em equipamentos novos sem garantia de retorno e administrar esse projeto sem bagagem prévia de empreendedorismo.

“Era só mato, só mato”, relatou Kátia à Gazeta. Nem todos teriam acreditado que aquele local poderia se tornar a principal fonte de renda da família. 

“Quando ela já entrou aqui, ela virou e falou bem assim: isso aqui vai ser um lugar que vai dar, vai ser o nosso ganha-pão”, completou.

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Atualmente, o Espaço KM reúne diversos serviços: o buffet conta com diferentes cardápios para alcançar a maior gama de clientes, atendendo desde festas corporativas à casamentos, aniversários de debutantes e demais eventos.

Além disso, a chácara possui salão de festas, piscina, bem como área coberta para os convidados, decoração personalizada e som profissional. O terreno vazio de antes se tornou lar de um negócio familiar do tamanho dos sonhos da Dona Marlene.

Legado de luta e superação

A união familiar que é responsável pela criação do negócio se manifesta inclusive em seu nome. Quando se mantém a memória de alguém viva, é possível reparar nos mínimos detalhes; e neste caso, a memória da Dona Marlene vibra e se transforma em um honroso legado. 

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O Espaço KM, ou seja, a junção de Katia e Marlene, é a resposta de anseios muito mais profundos, desejos de uma mãe cujo filha, tijolo por tijolo, foi capaz de realizar.

Contudo, as coisas nunca foram fáceis e a história de Dona Marlene e seu afeto pela culinária teve um início sofrido. Fugiu de casa aos 12 anos para escapar da violência doméstica e começou a trabalhar como empregada doméstica para sobreviver. 

“Com o tempo, ela foi trabalhando em casas de várias pessoas e morava na casa dessas pessoas e foi cozinhando. Ela meio que trocava um serviço por um prato de comida e por uma moradia”.

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Os patrões elogiavam sua comida e diziam que deveria investir no ramo da cozinha e abrir um negócio próprio. Na época, isso não era sequer uma possibilidade. Marlene precisava sobreviver. 

Kátia afirma que a grande vontade de sua mãe era utilizar o que aprendeu e mais gostava, cozinhar, para erguer um estabelecimento.

“Desde que eu era criança, sempre escutava ela falando, ai, minha filha, meu sonho é ter um restaurante, meu sonho é ter restaurante, meu sonho é fazer o que eu gosto, tudo.” 

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Não havia tempo para correr atrás desse sonho enquanto limpava em troca de um prato de comida e cama para dormir. A vida permaneceu repleta de dificuldades após a gravidez do primeiro filho aos 16 e um casamento conturbado. Portanto, o desejo de trabalhar com sua comida foi ficando cada vez mais esquecido

Décadas se passaram, a família aumentou, e as prioridades continuavam outras. Até a abertura do restaurante.

Trajetória no empreendedorismo

Com 15 anos, Kátia trabalhava em um shopping e vendia aos colegas e clientes os doces que Dona Marlene preparava. Assim, conseguiam um gostinho do que seria trabalhar no ramo.

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Foi somente a aquisição da chácara no Jardim Shangri Lá que possibilitou o início da realização desse sonho. Inicialmente, entre uma sociedade de Kátia e seu então marido, o espaço se tornou um restaurante com direito à roda de samba e feijoada especial aos sábados. 

Enquanto isso, Dona Marlene ficava responsável por cozinhar e coordenar sua própria equipe de auxiliares. Conforme o negócio se expandia, a infraestrutura e gestão eram refinadas por Kátia. 

No meio do caminho, passou a coordenar o projeto sozinha e iniciou a transição de restaurante para buffet.

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Momento de resiliência

Dona Marlene sempre foi o cerne e a alma do negócio, e quando recebeu o diagnóstico de um câncer na vulva, o negócio, a família, e principalmente, Kátia, sentiram o peso da notícia.

Kátia tocava o restaurante ao mesmo tempo em que dona Marlene ensinava à ela tudo que sabia, desde quantidades, medidas, e até mesmo o tempero especial que marca o sabor do buffet até hoje.

Esse é um segredo mantido entre as duas e que se tornou a característica mais marcante de todas as comidas do Espaço KM.

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“Ela teve o câncer e ela ficou bem debilitada, bem debilitada. E eu comecei a levar a feijoada sem ela. Ela na cama, me ensinava a quantidade, tudo”, relatou Kátia. 

Enquanto Kátia se equilibrava entre casamento, filhos e cuidados com a mãe e um pai idoso, ainda precisava dar continuidade no buffet. Dona Marlene continuava sendo a principal fonte de auxílio para Kátia naquele momento.

“Quando ela tava no hospital, eu fiz um buffet sem ela, mas eu tava com ela aqui igual você aqui na câmera. Então eu falava, mãe, isso aqui eu ponho quanto? Mãe, isso aqui eu faço como agora? E ela ia me falando.”

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Se não tem remédio, então remediado está

Após o período de remissão do câncer, Kátia conta que os médicos deram um prognóstico positivo: “Os médicos falaram, Marlene, se o seu câncer não voltar com 6 anos, não volta mais.”

Em 2022, no entanto, ocorreu a recidiva da doença e dona Marlene permaneceu na batalha contra o câncer por mais dois anos. E Kátia, por sua vez, novamente dividida entre o agora oficialmente buffet e os cuidados com a mãe.

Segundo Kátia, dona Marlene veio a óbito no natal de 2024. Enquanto lutava contra a doença, um de seus maiores acalentos era a música, encontrando força em canções como o clássico Girls Just Wanna Have Fun, de Cyndi Lauper ou a icônica Clareou, do cantor Xande de Pilares. Kátia conta que a mãe encontrava força nas letras e que “sentia como se sua dor sumisse.” 

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Hoje, seu legado continua vivo, seja através das mãos de Kátia, que leva o tempero de dona Marlene na comida, seu nome como logomarca e seus ensinamentos adiante, nos netos que criou ou com carinho na memória de quem a conheceu.

Pernil é carro-chefe até hoje

O Espaço KM tem 10 anos de estrada, e uma trajetória como essa tem sua coleção de marcas registradas. O pernil de dona Marlene é a principal delas. Com o tempero especial que ela desenvolveu ao longo dos anos e um jeito único de preparo, esse se tornou o prato mais procurado do buffet.

“O pernil é a história da minha mãe. Aqui na região ninguém leva pernil, é só a gente”.

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Quem quiser experimentar o pernil ou outras opções de menu, como o mineiro ou de churrasco, além de contratar o Espaço KM, deve entrar em contato no número (11) 98352- 5057 por Whatsapp ou enviar uma mensagem ao @espaçokmeventos no Instagram. 

O Espaço KM está localizado no endereço Avenida Dona Belmira Marin 5585 jardim Shangri La, São Paulo, 04648010 e recebe eventos corporativos, festas de 15 anos, casamentos e demais festividades.