Fórmula 1: Justiça suspende contrato de R$ 100 milhões da Prefeitura de SP com novo organizador do GP

Juiz alega falta de transparência e ausência de licitação no processo de escolha da MC Brazil Motorsport Holding Ltda

Autódromo de Interlagos, na zona sul de São Paulo

Autódromo de Interlagos, na zona sul de São Paulo | Pirelli/LAT Images

O contrato de R$ 100 milhões feito pela Prefeitura de São Paulo com a nova empresa responsável para organizar e promover a etapa mundial de Fórmula 1 na Capital foi suspenso pelo juiz Emílio Migliano Neto, da 7ª Vara de Fazenda Pública do Tribunal de Justiça de São Paulo, na noite de segunda-feira (11).

Na decisão, obtida e divulgada pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, o magistrado cita a contratação como uma “verdadeira aberração” e critica a falta de transparência no processo.

Sem a contratação da empresa, é inviável organizar e preparar o autódromo de Interlagos para a corrida. Nesta terça-feira (12), a Fórmula 1 atualizou o calendário da temporada 2021 com a presença da etapa brasileira em uma nova data. Agora, no lugar de 14 de novembro, a corrida foi antecipada em uma semana e está prevista para o dia 7.

De acordo com uma publicação do “Estadão” divulgada na semana passada, a empresa MC Brazil Motorsport Holding Ltda foi a escolhida para organizar o GP pelos próximos cinco anos. A companhia receberá cinco parcelas de R$ 20 milhões referente a cada uma das corridas organizadas pelo contrato.

Esta informação foi publicada em uma edição do Diário Oficial. A partir disso, será a primeira vez que a Prefeitura de São Paulo vai bancar diretamente um valor para organizar a prova.

Ainda na decisão, o juiz diz que o processo de contratação da empresa apresenta duas falhas principais. A primeira é a falta de licitação, já que “violou os princípios constitucionais da moralidade, da publicidade e legalidade”.

O segundo tópico é a falta de transparência, uma vez que os documentos referentes à contratação da empresa são confidenciais e indisponíveis para consulta pública. “Os princípios de publicidade e transparência estão sendo violados de forma explícita”, concluiu Migliano Neto.

A gestão municipal agora tem cinco dias para apresentar todos os documentos do processo. Em nota enviada ao “Estadão”, a prefeitura diz “que não foi intimada, mas prestará todos os esclarecimentos assim que for oficialmente comunicada da decisão”.