O edifício Wilson-Colmena, oficialmente chamado de edifício Marquina e um dos ícones arquitetônicos do centro histórico de Lima, passa por reforma há cerca de seis meses. Construído na década de 1930 e declarado inabitável em 2001, o prédio será convertido em espaço de uso misto, com escritórios, comércio e serviços.
Do luxo à ocupação por famílias de baixa renda
A história do edifício Wilson-Colmena está diretamente ligada a uma grande transformação viária de Lima ocorrida no final da década de 1930. A decisão de ampliar e alargar a via mudou completamente a paisagem daquela região do centro da capital peruana.
O projeto também previa o alargamento da via, o que exigiu a demolição de antigas casas e outros imóveis que estavam no caminho da nova configuração.
Projetado pelo arquiteto peruano Rafael Marquina, o edifício nasceu nessa fase de expansão e modernização do centro da capital. A cidade começava a exigir avenidas mais largas e novos eixos de circulação, enquanto o crescimento urbano e o aumento do tráfego estimulavam intervenções que rompiam com a escala mais tradicional do centro.
O edifício foi concebido para abrigar lojas de luxo e apartamentos na recém-inaugurada avenida Colmena. A fachada revestida de quartzo refletia o padrão dos prédios de maior categoria da Lima de meados do século XX.
O imóvel combinava comércio no térreo e apartamentos nos pavimentos superiores e, durante décadas, passou por um processo de deterioração física.
Com o passar das décadas, a deterioração das instalações levou à ocupação por famílias de poucos recursos. Em 2001, o imóvel foi declarado inabitável, um dos momentos mais críticos de sua história.
A declaração de inabitabilidade encerrou o uso residencial de uma construção que já não oferecia condições adequadas de segurança e conservação. Isso explica por que, hoje, a reforma começou pelo reforço estrutural, com novas escadas de emergência, elevadores e sistemas elétrico, sanitário e contra incêndio.
O que muda no edifício Wilson-Colmena?
A primeira etapa incluiu duas escadas de emergência e seis elevadores, além de novos sistemas elétrico, sanitário e contra incêndio.
A fachada já começa a recuperar o aspecto original. Nos próximos meses, a cobertura deve receber um novo nível, onde poderão funcionar salas multiuso, cafés e restaurantes. Ao fim, serão cerca de 2.000 m² de lojas e 12.000 m² de escritórios.
Patrimônio preservado e olhar para o futuro
A fachada e alguns elementos da distribuição devem ser conservados, enquanto os espaços internos têm mais flexibilidade. Os traços característicos do prédio estão, sobretudo, no exterior.
Se o cronograma for cumprido, o edifício Wilson-Colmena deixará de ser lembrado como um gigante esquecido para se tornar exemplo de como unir patrimônio e uso contemporâneo no coração de Lima. A transformação mostra que preservar a memória da cidade e devolver vida ao centro histórico podem caminhar juntos.






