Se você já teve uma crise de soluço que parecia não acabar mais, conhece o incômodo. Charles Osborne, porém, enfrentou uma situação muito mais difícil. O fazendeiro americano passou 68 anos com soluços constantes, depois de um acidente ocorrido em 1922.
Osborne começou a soluçar aos 29 anos e continuou até fevereiro de 1990, quando os espasmos pararam de forma repentina. Segundo o Guinness World Records, o caso é considerado o mais longo ataque de soluços já registrado.
Veja também: o que causa o soluço
O acidente que mudou a vida de Charles Osborne
Os soluços começaram em 13 de junho de 1922, quando Osborne tinha 29 anos e trabalhava em uma fazenda perto de Union, Nebraska. A queda durante o trabalho deu início a um problema que o acompanharia pelo restante de boa parte da vida.
Em entrevista à revista People em 1982, o homem afirmou que estava pendurando um porco de 159 kg para o abate quando um acidente aconteceu.
“Peguei-o e caí. Não senti nada, mas o médico disse depois que eu rompi um vaso sanguíneo do tamanho de um alfinete no cérebro”, afirmou.
O que pode ter provocado os soluços por décadas
O caso nunca teve uma explicação definitiva. O médico de Osborne, Terence Anthoney, acreditava que a queda teria afetado uma área do tronco cerebral ligada ao controle do reflexo do soluço.
Além da explicação dele, uma das possibilidades é que o acidente tenha provocado uma lesão que interferiu no funcionamento do diafragma, músculo localizado entre o peito e o abdômen e responsável pelos movimentos da respiração.
Outra hipótese considera que Osborne poderia ter sofrido uma lesão na cabeça ou até um acidente vascular cerebral. Nenhuma delas foi confirmada.

Uma vida com limitações, mas próxima do normal
Osborne chegou a ter entre 20 e 40 espasmos do diafragma por minuto. Mesmo assim, conseguiu ter uma vida comum: casou-se duas vezes, teve oito filhos e trabalhou vendendo máquinas agrícolas e leiloando gado.
A intensidade dos soluços, porém, exigia adaptações. Ele passou a controlar a respiração para reduzir o barulho e, na década de 1970, precisou bater as refeições no liquidificador para conseguir comer.
Em entrevista à revista Smithsonian, Kevern Koskovich, que conviveu com o velho Osborne, lembrou que ele flexionava o peito algumas vezes por minuto e respirava de uma maneira que fazia parecer que estava arfando.
Em 1978, Osborne lamentou a situação à Associated Press. “Eu daria tudo o que tenho no mundo para se livrar deles”, disse ele, que já tinha 56 anos na época.
O fazendeiro também afirmou que sentia muita dor provocada pelos espasmos constantes.
Soluços finalmente pararam
Em fevereiro de 1990, os soluços cessaram sem nenhuma explicação. Depois de quase sete décadas convivendo com os espasmos, porém, Osborne teve apenas cerca de um ano sem o problema.
Ele morreu em maio de 1991, aos 97 anos. Ao longo da vida, estima-se que tenha soluçado aproximadamente 430 milhões de vezes.
Como identificar um soluço interminável
Na maioria das vezes, o soluço dura poucos minutos e desaparece sozinho. Ele pode surgir depois de comer demais, beber bebidas alcoólicas ou gaseificadas, engolir ar ou passar por uma mudança repentina de emoção.
Quando dura mais de 48 horas, o quadro passa a ser considerado persistente.
Já os casos que ultrapassam um mês são classificados como intratáveis e são extremamente raros, podendo estar relacionados a problemas de saúde.
Por isso, um episódio prolongado não deve ser tratado apenas como um incômodo e merece atendimento médico.






