Madame Satã: Conheça curiosidades do bar de rock mais tradicional de SP

Madame Satã foi criado em 1980 e palco de ícones do rock nacional e até internacional; a Gazeta entrevistou o atual dono da casa legendária

Madame Satã é considerado um patrimônio cultural de São Paulo

Madame Satã é considerado um patrimônio cultural de São Paulo | Divulgação/Madame Satã

O Madame Satã é considerado por muitos um patrimônio cultural paulista, e tem uma história repleta de cultura e história. A Gazeta entrevistou um dos atuais donos do madame, Igor Calmona, que contou a história e curiosidades do casarão que é berço do rock nacional e foi palco de artistas como RPM, Titãs e Ira.

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História

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Originalmente “Restaurante Cultural Madame Satã”, o local foi fundado por Miriam Dutra, Márcia Dutra, Wilson José e Williams Jorge, no dia 21 de outubro de 1983. Foi no ano seguinte, em 1984, que José Claudio Mendes entra para a sociedade e insere um novo conceito: a pista de dança e um palco para apresentações.

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Segundo Igor, o Madame trouxe à tona uma tendência mundial, a new wave. “Quando a new wave começou a se destacar no Brasil, [a casa] ficou conhecida principalmente pela ‘salada cultural’. Ao mesmo tempo em que funcionava majoritariamente como discoteca, também acolhia manifestações artísticas e culturais de todos os tipos”.

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Desde então o bar passou por diferentes administrações, mudança de nome e até fechamento de portas. Porém, em fevereiro de 2011, após a casa ser reformada, o imóvel da rua Conselheiro Ramalho, na Bela Vista, voltou a ter vida com o nome de Madame Satã.

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Quem foi Madame Satã?

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“O nome Madame Satã é inspirado em João Francisco dos Santos, mais conhecido como Madame Satã, uma transformista brasileira, figura emblemática e um dos personagens mais representativos da vida noturna e marginal da Lapa carioca na primeira metade do século XX”, explicou o proprietário.

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Período de instabilidade

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O Madame Satã passou por alguns períodos de instabilidade, fechamento e realocação de endereço em sua história. Igor contou um pouco deste processo.

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“Após um hiato de aproximadamente sete anos fechado o casarão foi reaberto pelos sócios Igor Calmona e Gé Rodrigues, transformando o Madame Club em um patrimônio histórico tombado da cidade de São Paulo e preza pela diversidade do público e pela história do centro cultural Madame Satã, que ficou conhecido nos anos 80 pela convivência pacífica entre pessoas de postura, classe social, etnia e ideologias diferentes presentes em um mesmo lugar, o que fugia à regra dos demais points da época; artistas, escritores, estudantes, homossexuais assumidos, intelectuais, jornalistas, poetas, punks, góticos, socialites, transexuais, transformistas, entre outros, faziam a clientela da casa”, explicou Igor.

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Reforma da casa

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A casa passou por diversos proprietários ao decorrer de suas histórias, mas foi com Igor Calmona e Gé Rodrigue, donos atuais, que a casa se tornou o que é hoje. “Meu sócio [Gé Rodrigues] trabalhou na casa nos anos 80, ainda menor de idade, como office boy do fanzine do Madame Satã que também era sucesso na época e posteriormente iniciou sua carreira como DJ lá também”.

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“Eu por outro lado morava na mesma rua e via a casa lá fechada para alugar e conhecendo e tendo participado de toda a história sabíamos do ‘diamante’ que era aquele lugar, depois de muita negociação conseguimos alugar o espaço e com muito trabalho após quase um ano de reforma, pois o imóvel estava totalmente deteriorado, com nossa larga experiência no ramo. Na ocasião éramos donos de 5 casas noturnas entre outros empreendimentos. Conhecendo a história da casa fizemos uma reforma que deu dignidade aos frequentadores com uma estrutura de respeito e uma decoração que manteve a identidade da casa e assim conseguimos reabrir o Madame em fevereiro de 2012. O sucesso foi imediato, no dia da reabertura a casa já estava lotada e olha que aconteceu num dia de semana e depois com uma boa programação conseguimos perdurar esse sucesso até hoje”, pontuou Igor.

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Ele ainda explicou que a casa em 2018 teve um aumento de tamanho. “Naquele ano, conseguimos alugar mais cinco galpões e expandimos a casa que ficou 3x maior com palco exclusivo para show, área exclusiva de alimentação, museu do madame, sala de jogos.”

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Quais foram os artistas que já passaram pela casa?

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Igor explicou que o Madame foi ninho de muitos dos artistas influentes que existem até hoje. “O Madame foi berço de muitas bandas e artistas principalmente aqui em São Paulo, como Ira, Capital Inicial, 365, As Mercenárias, RPM, Viola de Outono e até Cazuza. Depois que reabrimos a casa trouxemos algumas atrações internacionais também. Em setembro, comemorando os 40 anos de ‘casarão’, traremos a banda Mecano que é mais um clássico dos anos 80 e sucesso nas pistas do Madame em sua última turnê.”

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Hoje a casa recebe democraticamente todos os grupos

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A casa permanece sendo um espaço seguro para minorias e pessoas de diversos gostos musicais, como era originalmente, explicou Igor.

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 “O público se renova constantemente mas com todas as melhorias e avanços até as pessoas que frequentavam a casa nos anos 80 e 90 ainda vem bastante pois o madame é um lugar acolhedor e sem preconceitos, vem gente de toda idade e até pessoas de outras tribos se sentem à vontade nesse espaço democrático”

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Endereço: R. Conselheiro Ramalho, 873 – Bela Vista, São Paulo
Horário de funcionamento: sexta a domingo das 22h até 5h00
Telefone: (11) 937406752

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*Estagiária, sob supervisão da redação