MEC revoga portaria que determinava volta das aulas presenciais em janeiro

Após a publicação da decisão, universidades já haviam afirmado que manteriam aulas remotas

As atividades remotas poderão ocorrer de forma complementar ou definitiva, se a pandemia exigir que as instituições permaneçam fechadas

Atualmente, o País tem 8,6 milhões de estudantes no ensino superior. Desses, 6,5 milhões deles estão em universidades privadas | /Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Ministério da Educação (MEC) vai revogar a portaria que autorizava a volta às aulas presenciais em universidades federais e particulares partir de 4 de janeiro. A decisão, que foi publicada nesta quarta-feira, teve grande repercussão negativa por parte das instituições e especialistas.

Durante entrevista à “CNN”, o ministro da educação, Milton Ribeiro, afirmou que não esperava tanta resistência. “Quero abrir uma consulta pública para ouvir o mundo acadêmico. As escolas não estavam preparadas, faltava planejamento”, disse. “A sociedade está preocupada, quero ser sensível ao sentimento da população”, afirmou.

Instituições como UNB, UFBA e UFABC já tinham se pronunciado afirmando que manteriam suas previsões de aulas remotas. “A Universidade de Brasília reitera que não colocará em risco a saúde de sua comunidade. A prioridade, no momento, é frear o contágio pelo vírus e, assim, salvar vidas. A volta de atividades presenciais, quando assim for possível, será feita mediante a análise das evidências científicas, com muito preparo e responsabilidade”, informa a nota da instituição.

De acordo com juristas ouvidos pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, a decisão poderia levar à judicialização porque a Constituição garante a autonomia universitária e há ainda a previsão para que as decisões sanitárias com relação à pandemia sejam tomadas pelos governos locais. Por isso, não seria possível uma universidade voltar a funcionar se o município não permitisse, por exemplo.

Atualmente, o País tem 8,6 milhões de estudantes no ensino superior. Desses, 6,5 milhões deles estão em universidades privadas.