Muito antes de prever o futuro, o tarô era um passatempo: conheça a verdadeira história das cartas e o que elas revelam sobre a busca por controle

Obsessão moderna por tentar decifrar o futuro contrasta com a verdadeira origem histórica das cartas de tarô na Europa medieval

Carta de Tarot (Foto_ DΛVΞ GΛRCIΛ_Pexels)

Famoso baralho nasceu como um simples passatempo na Itália do século 15 (Foto_ DΛVΞ GΛRCIΛ_Pexels)

É domingo à noite, você está na cama rolando a tela do celular e para em um vídeo que promete revelar o seu futuro. Ou talvez seja aquela pessoa que abre um aplicativo logo cedo, apenas para tentar antecipar se o dia será bom.

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Isso acontece porque a incerteza pode causar desconforto. Existe o desejo por garantias de que o emprego vai dar certo, de que a mensagem vai chegar e de que não haverá sofrimento no meio do caminho.

Mas nem sempre a humanidade foi tão obcecada em decifrar o dia de amanhã. A história das cartas de tarô convida a uma reflexão profunda sobre controle.

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Um passado onde o mistério era apenas diversão

Quando se pesquisa como o tarô surgiu na Europa medieval antes de virar um oráculo, a resposta costuma chocar quem busca misticismo. No século 15, no norte da Itália, ele não passava de um simples passatempo.

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As ricas famílias de Milão e Ferrara, como os Visconti e os Sforza, encomendavam baralhos pintados à mão com folhas de ouro apenas para jogar e se divertir.

Conhecido como carte da trionfi, ou cartas de trunfos, o jogo era uma forma de reunir pessoas e dar risada. Não havia nenhuma promessa de revelar o destino ou ler a sorte de alguém.

Figuras como O Louco, A Roda da Fortuna ou A Morte eram apenas representações da sociedade da época. Elas serviam para marcar pontos em uma partida muito parecida com o nosso carteado atual.

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Apenas séculos depois, no final dos anos 1700, é que a angústia humana transformou essas cartas de jogar italianas em uma ferramenta para tentar controlar o imprevisível.

Como trazer a leveza de volta para a rotina

Saber que aquelas cartas misteriosas nasceram para o lazer ajuda a refletir sobre o que foi deixado de lado. A busca constante por respostas pode fazer com que a vida seja encarada como um problema a ser resolvido.

Para quebrar esse ciclo de ansiedade e voltar a viver com mais tranquilidade, pequenas mudanças diárias podem ajudar:

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  • Abrace o desconforto da dúvida: quando surgir a vontade de procurar uma resposta imediata, faça uma pausa. Lembre-se de que não ter o controle de tudo é o estado natural das coisas.
  • Foque no que é palpável: em vez de sofrer pelo que pode dar errado na próxima semana, concentre a energia no presente. Arrume a mesa, faça um chá quente ou mande mensagem para um amigo.
  • Resgate o prazer do passatempo: faça como os italianos do século 15 e jogue algo sem propósito produtivo. Monte um quebra-cabeça, jogue baralho comum ou pinte. O lazer puro pode acalmar a mente hipervigilante.

No fim das contas, a rotina não é um roteiro que precisa ser desvendado com tanta urgência, mas sim uma experiência que merece ser vivida um dia de cada vez.